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A utilização da logística reversa nas indústrias e comércios

 

Publicado em 09/07/2021

A logística reversa está presente no dia a dia das indústrias e comércios, mas é necessário que sua utilização aumente para se obter resultados mais vantajosos para ambas as partes (meio ambiente e empresas)


 

Artigo | Por Aline de Almeida Flores Frota, Lauryene Ferreira da Silva, Regiane Galdino dos Santos, Roger Pinheiro da Silva e Yasmin Eloize do Prado *

Segundo publicação da Revista Mundo Logística, 60 das 100 maiores empresas residentes no Brasil já possuem alguma atividade correlacionada com a logística reversa e políticas de pós-consumo. No entanto, para o impacto positivo ser maior, é necessário conscientizar os pequenos e médios negócios, que, de acordo com o Sebrae, somam mais de 6,3 milhões de estabelecimentos.

Ao se buscar uma análise referente à logística reversa no mundo comercial, é evidente que muitas empresas estão aderindo a esse conceito para, sim, ajudar o meio ambiente, mas principalmente para utilizar como uma estratégia de marketing, pois as questões ambientais estão em alta – para o alívio da humanidade. Segundo Almeida (2020) a logística reversa tem um objetivo econômico relacionado a revalorização financeira, com possibilidades de obter-se ganhos financeiros e maior competitividade de custos dos produtos/serviços.

Sabe-se que nos dias atuais é importante tomarem-se medidas para diminuir o impacto do consumo acelerado da população mundial. Para Almeida (2020), a logística impacta diretamente na melhoria e preservação do meio ambiente, pois retiram da natureza os componentes tóxicos e nocivos à saúde do planeta e dos seres humanos. Outra melhoria é a diminuição da utilização de matéria prima virgem, pois com a logística reversa é possível realizar a reciclagem de muitos materiais, economizando assim fontes de energia e minérios (MIGUEZ, 2012).  

Almeida (2020) discorre que o conceito de logística reversa nasceu em meados das décadas de 1970 e 1980, ganhando relevância no território brasileiro apenas em 1990. Com o constante aumento da produção durante os anos, a população mundial começou a se preocupar com questões ambientais e de consumo consciente, fazendo com que a logística reversa se tornasse popular e cada vez mais relevante. Segundo Almeida (2020), primeiramente iniciou-se na ideia de recolhimento de embalagens, passando por sustentabilidade até chegar ao conceito atual: adequação a leis ambientais e agregação de valor a bens materiais e serviços, além de contribuir para a imagem da empresa. Apesar de ser um conceito relativamente novo, é extremamente necessário para diminuir o consumo de recursos naturais e preservar cada vez mais o planeta. Segundo uma matéria publicada no site G1 Globo (2020), 1969 foi o último ano em que os hábitos de consumo de recursos foram compatíveis aos recursos disponíveis no planeta.

LOGÍSTICA REVERSA

De acordo com Izidoro (2015), os produtos obtiveram um aumento significativo em suas tendências de descarte. Ou seja, o tempo de vida útil dos produtos está cada vez menor, aumentando o consumo de tais itens e de determinados serviços. Observa-se na imagem a seguir dados do crescimento da produção de alguns produtos de 1994 a 2006, de acordo com Leite (2009).


Fonte: Leite (2009)

Conforme observa-se na imagem, é possível perceber o aumento na produção dos itens citados. Por meio disso, é presumido que se faça necessária a criação e seguimento de normas para obrigatoriedade de políticas de pós-consumo. Para o melhor entendimento: o ciclo de vida é a aquisição de matéria prima, processos industriais, distribuição e disposição final de um produto (ROBLES E FUENTE, 2019)

Para Izidoro (2015), a logística reversa pode ser entendida como uma seção da logística encarregada de planejar, controlar e operar o fluxo de informações dos itens de pós-venda. Com isso, é importante perceber que a cada produto vendido na empresa/comércio, é necessário que haja um pensamento de pós-consumo. Chaves e Alcântara (2009) acreditam que o fluxo gerado pela logística reversa traz ganhos a imagem corporativa e traz muitos benefícios ambientais.

FLUXO LOGÍSTICO REVERSO

Segundo o esquema apresentado por Izidoro (2015), a logística reversa apresenta três categorias de pós-venda, sendo elas: qualidade, comercial e de substituição de componentes.


Fonte: Izidoro (2015)

Os produtos na categoria de qualidade são produtos que apresentam não conformidades e que podem ser trocados, devolvidos a empresa e serem recuperados. A categoria comercial tem duas vertentes. Uma delas é estoque, que é quando o produto foi expedido de forma errônea e deve voltar ao estoque para uma possível troca e por prazo de validade, caso tenha se excedido. Já a categoria de substituição de componentes caracteriza-se pela substituição de componentes durante a vida útil do produto (ROBLES E FUENTE, 2019).

Em relação aos fluxos logísticos, existem três divisões: fluxo físico, financeiro e de informações, que devem trabalhar em conjunto – um não existe sem o outro. Para Robles e Fuente (2019) o fluxo tradicional é iniciado pela previsão de vendas e termina no consumidor. Quando se fala de fluxo reverso, a movimentação ocorre de forma oposta ao fluxo tradicional, no qual o start é dado pelo consumidor. O fluxo reverso se subdivide em pós-vendas, relacionado a devoluções de garantia trocas, e pós-consumo que trata de reciclagem e destinação dos produtos após o uso.

Para o comerciante, é importante atentar-se as duas formas de fluxo reverso, pois as duas trazem benefícios a ambas as partes. Ambos necessitam de mão de obra da empresa. Em empresas maiores, é comum haver um setor apenas para tratar de assuntos relacionados ao pós-vendas. Já em empresas pequenas, geralmente é realizado pelo setor de vendas em conjunto com o setor de qualidade. Para o pós-consumo, faz-se necessário um setor responsável pela coleta (ou terceirizado) e uma pessoa responsável pela legislação, já que algumas empresas têm certificações que necessitem de uma logística reversa.

LEGISLAÇÃO DA LOGÍSTICA REVERSA

No Brasil, existem legislações que servem para certificar as empresas e aos consumidores sobre a utilização correta da logística reversa. Está em vigência a Lei n. 12.305/2010 da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Outras certificações também são utilizadas, como a Certificação ABNT NBR ISO 14001 que utiliza de questões ambientais para trazer sustentabilidade e ética para as organizações através de um Sistema de Gestão Ambiental. Outra legislação que pode ser citada é o Código de Defesa do Consumidor, que traz políticas de tomadas de decisão no pós-vendas (ALMEIDA, 2020).

É importante ressaltar também que a relação entre o poder público e privado deve sempre contribuir para a criação de novas leis que aprimorem e tragam obrigatoriedade nas políticas de logística reversa, para aumentar cada vez mais seus benefícios na sociedade.

LOGÍSTICA REVERSA: UM BOM (E NECESSÁRIO) HÁBITO

Diante do aumento das atividades comerciais e industriais, é importante ressaltar que as políticas de logística reversa são de suma importância para o andamento das atividades econômicas, tendo em vista que trazem muitos benefícios à sociedade. Deve ser ressaltada também a importância da logística nesse processo, no qual muitas ferramentas só se fazem eficazes devido à grande importância desse setor. Além disso, é pontual lembrar como as legislações se fazem necessárias nesse processo, tendo em vista que é uma forma de embasar todos os conhecimentos nesse setor.

Todas as empresas e comércio devem criar um hábito para com seus clientes para que a logística reversa se torne mais do que apenas uma ferramenta de ganhos financeiros e ambientais, mas para que se torne uma filosofia de trabalho para todos e se faça permanente no mercado.

 

* Os autores são estudantes do 5º período do curso de Engenharia de Produção, na Faculdades da Indústria – IEL SJP.

 

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, R. A. Logística Reversa no E-Comerce. Curitiba: Contentus, 2020.

IZIDORO, C. Logística Reversa. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015.

MIGUEZ, E. C. Logística Reversa Como Solução para o Problema do Lixo Eletrônico: Benefícios Ambientais e Financeiros. Rio de Janeiro: Qualitymark Editora, 2012.

ROBLES, L.T.; FUENTE, J.M.L. Logística Reversa: Um Caminho Para o Desenvolvimento Sustentável. 1ª ed. Curitiba: InterSaberes, 2019.

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