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Blockchain: Contra a escassez de chips, tecnologia

 

Publicado em 12/07/2021

O Blockchain nos ajudou a vencer a complexidade de controle do abastecimento adequado para que não faltassem materiais em todos os pontos do processo e contribuiu para mantermos tudo e todos conectados


Foto: Divulgação

Artigo | Por Leandro Martins Stumpf *

No início de 2020, com o prenúncio da pandemia chegando ao Brasil e com a expectativa de isolamento social, todo o mercado começou a apostar numa desaceleração da economia e queda nas vendas. Não demorou muito para enxergarmos que estávamos errados em alguns aspectos. A imposição do home office e do ensino a distância aumentou sensivelmente a demanda por serviços de telecomunicações, como internet e dispositivos móveis. De escolas a grandes empresas, todos precisaram de muita conectividade neste novo normal.

Mais do que nunca, o mundo todo exigiu tecnologia. E isso causou um aumento exponencial da demanda por aparelhos embarcados com chips, como smartphones e modens – falo por experiência própria. Em minha casa havia apenas um computador e um notebook. Durante o isolamento, com dois filhos estudando à distância e eu e minha esposa trabalhando em casa, foi preciso comprar mais aparelhos e repetidores de sinal para que o Wi-Fi chegasse a todos os cômodos. Muitas pessoas tiveram experiências similares, não só na adição de dispositivos, mas também em melhorias no plano de internet.

Esse cenário gerou a escassez de semicondutores, itens essenciais para a fabricação de chips e outros eletrônicos. Cientes desse movimento, empresas de tecnologia aumentaram os pedidos de componentes tecnológicos, ao mesmo tempo em que as fábricas diminuíram a produção por falta de matéria-prima. Com a alta da demanda e a diminuição de produção, veio a escassez.

A crise se intensificou de tal forma que até hoje a indústria não voltou ao normal. Até o setor automobilístico sofreu as consequências. Quando retomaram a produção normal “pós-pandemia”, as montadoras se viram no fim da fila para adquirir chips, o que fez grandes empresas reduzirem a produção, fato noticiado pela imprensa internacional.

As fábricas de semicondutores estão tentando solucionar o problema, que ainda promete se estender por um tempo. Segundo a CNN, a TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company), responsável por 80% dos semicondutores para carros, anunciou que vai investir US$ 100 bilhões nos próximos três anos para que a capacidade de produção encontre a demanda. Já a Intel, fabricante americana de chips, planeja expandir as fábricas no Arizona com investimento de US$ 20 bilhões. Essas empresas, junto com a Nvidia, companhia que produz placas de vídeo, preveem que a escassez continue até 2022 ou 2023. Como se vê, é um desafio grande que todas as empresas estão (e continuarão) enfrentando.

Na Vivo, mesmo com o aumento da demanda por internet de alta velocidade, não fomos pegos desprevenidos pelo tsunami da pandemia, pois já estávamos trabalhando em soluções para aprimorar a eficiência da nossa cadeia de suprimentos. Isso foi fundamental para os passos seguintes na logística diante do novo cenário. Aderimos ao Blockchain (tecnologia que ganhou popularidade com o advento das criptomoedas) para que pudéssemos atender as necessidades de nossos atuais e futuros clientes, mesmo com a escassez global de componentes.

A empresa possui uma das maiores e mais complexas operações logísticas do setor de telecomunicações, que envolve centenas de fabricantes de materiais que atendem a operação comercial (smartphones, simcards, notebooks, tablets, gadgets, etc) e técnica (materiais de infraestrutura de redes e “casa cliente” que envolvem modens de internet, decoders de TV por assinatura e miscelâneos).

Esses materiais são recebidos em 19 CDs e distribuídos, no caso da logística comercial, para mais de 1,6 mil lojas ou entregues porta-a-porta para clientes finais B2C e B2B. No caso da logística técnica, os materiais são distribuídos para mais de 100 postos avançados em todo o Brasil que distribuem para milhares de técnicos de campo, responsáveis pela implantação e manutenção da rede de telecom, bem como pela instalação dos serviços de telefonia, internet e TV por assinatura na casa dos clientes.

Com o Blockchain, uma solução que se destaca pela segurança, rastreabilidade e escalabilidade na integração de todas as etapas da cadeia logística, temos visibilidade da alocação dos materiais da cadeia produtiva de forma mais confiável. Isso nos permite melhor planejar e executar níveis de estoque mais eficientes em todas as etapas da cadeia logística, inclusive quanto aos produtos em posse dos milhares de técnicos de campo, que também têm flexibilidade para transferir materiais entre eles de forma segura e rastreável.

A solução é fundamental também para rastreabilidade da logística reversa dos equipamentos retornados de campo, que posteriormente são reparados e, se aprovados pela qualidade, são disponibilizados para nova instalação. O Blockchain ampliou a visibilidade desses materiais, ajudando a acelerar o retorno, recuperação, além de minimizar a necessidade de maior compra de novos produtos, muito importante no atual momento de demanda acelerada e capacidade fabril restrita, além de contribuir com a economia circular e preservação ambiental.

O Blockchain nos ajudou a vencer a complexidade de controle do abastecimento adequado para que não faltassem materiais em todos os pontos do processo e contribuiu para mantermos tudo e todos conectados. Sempre tivemos uma preocupação muito grande com a garantia do provisionamento desses materiais. Fazemos os pedidos de compra com antecedência de nove a doze meses para garantir o abastecimento. Com o Blockchain, conseguimos saber do problema ou do risco de atraso com antecedência, revendo mix de abastecimento entre fabricantes, modais de transporte e leadtimes de entrega. A tecnologia permitiu otimizar os níveis de estoque em mais de 25% e acelerar a logística reversa em 8% alcançando o payback do projeto em menos de um ano.

Essa não foi uma solução gerada a partir da pandemia, mas sua eficiência foi colocada à prova durante este período. Levando em conta o que estamos vivenciando até aqui, passou no teste e foi além das expectativas. O projeto é global no Grupo Telefônica e o Brasil foi o pioneiro na implantação no segmento “casa cliente”, envolvendo diversas áreas locais e globais, principalmente TI, Engenharia e Supply Chain, que atualmente trabalham em oportunidades de expansão da solução.

 

* Leandro Martins Stumpf é diretor de Logística da Vivo

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