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Gestão de riscos e logística no transporte rodoviário de cargas em tempos de pandemia

 

Publicado em 20/07/2020



 

*Por Diego Gonçalves e Fábio Lima



Em tempos de crise, precisamos nos desafiar. Pensar fora da caixa. Reinventar processos para continuar competitivos, garantindo a estabilidade financeira das empresas e a manutenção dos empregos. No segmento de transportes, as dificuldades em meio à pandemia da Covid-19 não são menores do que em outros setores.
Em números atualizados pela NTC&Logística, a demanda na movimentação de cargas sofreu queda de 30,42% segundo pesquisa realizada entre os dias 29 de junho e 5 de julho deste ano. Com o cenário de redução no transporte e mesmo com indicadores gerais de roubo não alarmantes, os momentos de crise exigem que sejamos mais vigilantes com os custos inseridos no negócio e que aumentemos a eficiência das operações. A hora é de tolerância zero para erros e custos extras. Com este sentimento internalizado nas empresas, precisamos avaliar se as boas práticas básicas de gestão de risco estão sendo executadas. O momento é ideal para traçar as oportunidades de implementação de ações protecionais e novos procedimentos na operação com o objetivo de aumentar a segurança sem elevar os custos.
O primeiro passo é revisar os processos básicos de gestão de risco e avaliar sua aplicação de maneira correta. Isso inclui cumprir as boas práticas de seleção do perfil de motorista; ter o veículo com manutenção regularizada; avaliar o desenho logístico da operação em tempos e movimentos exequíveis; iniciar a viagem com o veículo abastecido e parar somente nos locais indicados.
Os motoristas precisam estar atentos durante as paradas e jamais devem dar informações sobre a carga. Diante de qualquer situação suspeita, é crucial informar imediatamente à GR, além de evitar paradas estendidas em locais que não sejam pátio da transportadora ou de cliente e somente aguardar a descarga no cliente se estiver em local seguro e com veículo bloqueado. A execução destes processos garante a redução da exposição ao risco, aumento na segurança das cargas e maior fluidez logística.
As ações para melhorar a gestão e reduzir a exposição ao risco não param aí. É importante um olhar atento a cada operação, aos produtos carregados e às rotas. Desta forma é possível balancear o PGR e exigir mais regras e protecionais para onde há maior risco, flexibilizando, se necessário, os pontos de risco menor. A grande sacada é retirar a previsibilidade da operação e trabalhar a aleatoriedade, evitando o vazamento de informação e neutralizando a “vantagem” dos assaltantes.
No transporte de mercadorias, a necessidade de avaliar cada regra do plano de gerenciamento de risco é contínua e, sempre que necessário, suas diretrizes devem ser alteradas. Protecionais com enorme eficácia exigem um bom desenho do procedimento. Um exemplo é a isca de carga, que pode ser um bom protecional desde que sua camuflagem seja adequada e que a estratégia conte com um processo mapeado para sua alocação, incluindo restrição nas informações para impedir o vazamento de informação.
Outras tecnologias ou regras surgem todos os dias, como é o caso do imobilizador. O mecanismo atua como bloqueador do motor independente do rastreador principal e tem sido fator de sucesso em muitas operações de risco para recuperação da carga e veículo roubados. 
Seja qual for o recurso empregado, vale reforçar que o bom resultado de um programa de gestão de risco vem da avaliação criteriosa da operação e do dinamismo com que adaptamos boas práticas de GR às necessidades da entrega de mercadorias.
O transporte de cargas é um desafio no Brasil e, portanto, o braço da gestão logística precisa estar em sincronia com a gestão de risco para garantir a alta performance e um transporte seguro, com entrega da mercadoria no cliente final dentro do prazo combinado e com a qualidade esperada. 

 

Diego Gonçalves (a direita) é diretor Comercial e de Marketing da Opentech e

Fábio Lima (a esquerda) é gerente de Risco e Segurança Patrimonial da BBM.

 

 

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