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Por que a gestão de estoque e a corrida por matérias-primas deixarão marcas na Black Friday e Natal

 

Publicado em 23/11/2021

Indústrias que não conseguiram se antecipar em seu planejamento a partir dos desafios que eram iminentes, não entregarão nos prazos o volume que os lojistas demandam para atender os consumidores


Foto: Divulgação

Artigo | Por Luis Fernando Talib *

A falta de estoques suficientes para as maiores datas do varejo deste ano (Black Friday e Natal) pode reduzir o desempenho das vendas em algumas categorias. O consumidor pode não encontrar exatamente o que procura ou ter que pagar valores mais salgados nas compras neste final de ano. Além da menor oferta de bens duráveis, como automóveis, eletrodomésticos, eletrônicos e telefones, as matérias-primas e componentes destes itens apresentaram grande elevação de preço.

A carência de componentes na indústria é decorrente das paralizações industriais ocasionadas pela pandemia da Covid-19 ainda no início de 2020. Primeiro, as medidas de isolamento para conter o coronavírus reduziram a produção de matérias-primas e o transporte de mercadorias. Depois, com a volta rápida das atividades em todo o mundo, os pedidos foram retomados ao mesmo tempo por todas as empresas dos mais diferentes setores.

Assim, toda a cadeia que abastece a indústria teve que dar conta dos pedidos atrasados e ainda encaminhar os novos, gerando um acúmulo de pedidos na retomada. Isso afetou ainda a logística de transportes. Ou seja, um problema que ganhou proporções maiores e impactos cada vez mais negativos, evitando assim uma retomada sustentável para o crescimento econômico.

A oferta de contêineres, navios e aviões não aumentou para atender pedidos atrasados e novas encomendas ao mesmo tempo. Além do crescimento significativo no preço destes equipamentos utilizados para o transporte de cargas, existem gargalos em boa parte dos portos ao redor do mundo, como na Ásia, Europa e Estados Unidos, e um grande congestionamento de embarcações que contribuem também para a escassez dos contêineres.

Como resultado, as indústrias que não conseguiram se antecipar em seu planejamento a partir dos desafios que eram iminentes, não entregarão nos prazos o volume que os lojistas demandam para atender os consumidores nesta reta final de ano. Com os gargalos na indústria, muitos varejistas já trabalham com cenário de estoques menores para atender a clientela neste período.

SOLUÇÃO PARA VENDER MAIS E EVITAR FALTA DE ESTOQUE

Um dos recursos utilizados para este tipo de situação está na maior oferta de mix de produtos. Lojistas estão em busca de maior diversidade de itens para cada linha de modelo, com diferentes opções de preços, por exemplo, para poder atender um amplo perfil de consumidores. Neste cenário, muitas indústrias também apostam em soluções de planejamento de demanda e gestão de estoque com tecnologias embutidas de Inteligência Artificial e Machine Learning, que ao trazer mais previsibilidade para a cadeia de suprimentos, contribuem com uma redução significativa no tempo em que os produtos precisariam ficar armazenados – seja no estoque ou no contêiner, bem como no custo de estoque.

Com esse tipo de recurso, as empresas conseguem obter maior controle sobre o ciclo da produção e gerenciam com mais consciência todos os processos, desde a entrada e saída de materiais e produtos até o envio de mercadorias. A partir de uma gestão de estoque mais tecnológica e com uso de algoritmos para trazer previsão, é possível diminuir os riscos de desperdício, principalmente os que estão associados à itens perecíveis, que ficariam parados em função de gargalos no setor logístico e impactariam diretamente na governança corporativa.

Ou seja, ainda há alternativas para equacionar a falta de produtos e o aumento das vendas. Essa é uma das alternativas para retomar as vendas de final do ano com mais disponibilidade de produtos. Afinal, ao contrário das primeiras Black Fridays que tivemos no Brasil, depois de a data se consolidar como uma das mais importante do varejo nacional, este ano estamos presenciando uma procura por parte dos consumidores para compra de novos produtos, mas sem unidades suficientes para atender a demanda.

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* Luis Fernando Talib é gerente nacional de desenvolvimento de negócios da Slimstock

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