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Por que captar e manter talentos na cadeia de abastecimento?

 

Publicado em 06/04/2022

Do ponto de vista da empresa, o movimento de alta rotatividade revela deficiências operacionais, resultando em impactos financeiros e reputacionais negativos para o negócio

Artigo | por Rafael Martins *


Foto: Shutterstock

Um dos principais desafios das empresas é obter patrocínio para implementar mudanças e melhorar os índices de turnover que, quando elevados, significam perda de capital humano. A rotatividade de profissionais nas organizações gira em torno de 20%, enquanto nas empresas certificadas e com excelentes locais para se trabalhar, este índice cai para 7%, segundo dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Os setores que estão ligados ao poder de compra, como a cadeia de distribuição, são os que mais sofrem com o turnover de colaboradores. Isso porque, se a economia está desaquecida, a demanda de serviços é menor e, consequentemente, impacta na redução de colaboradores para que a empresa funcione sem prejuízos.

Mas, há outra lógica envolvida no tema. Os colaboradores dedicados a esse segmento e que atuam no chão de fábrica ou como operadores no Centro de Distribuição ou mesmo ajudantes de carga e descarga, geralmente aceitam o emprego por falta de opções. São funções que exigem um nível mais baixo de capacitação e treinamentos. Com o tempo, esses profissionais acabam optando por mudar de área ou até mesmo se qualificam para realizar uma transição de carreira.

Do ponto de vista da empresa, o movimento de alta rotatividade revela deficiências operacionais, resultando em impactos financeiros e reputacionais negativos para o negócio. Por isso, é fundamental que o processo de seleção desses profissionais seja feito de modo a compreender se o perfil deles dá “match” com o da empresa e até mesmo se os valores são semelhantes aos que o empregador defende, sem esquecer de buscar investimentos para promover a qualidade no ambiente de trabalho.

Ao levar isso em consideração, as chances de sucesso na contratação aumentam, pois o colaborador tem mais possibilidade de se adequar à rotina, ter satisfação no emprego e, consequentemente, mais chances de se aprimorar e ter crescimento profissional. Ou seja, no final das contas, os dois lados ganham.

A manutenção dos profissionais nesse setor deve ser feita a partir da compreensão sobre como está o nível de satisfação do colaborador, buscando saber como é possível melhorar. As pesquisas de satisfação e os feedbacks são formas de descobrir pontos para aprimorar e abrir espaço para que o colaborador possa falar o que ele gostaria que fosse implementado para facilitar seu dia a dia. E, se possível, a valorização salarial também é uma forma de reconhecer o bom desempenho do colaborador.

A busca por medidas de captação e valorização desses talentos é uma necessidade para a sociedade, tendo em vista que o setor tem um papel fundamental – e muitas vezes ignorado – no abastecimento da população e na manutenção do funcionamento de outros setores. Podemos perceber essa importância no início da pandemia, com as pessoas estocando alimentos e itens de limpeza com medo da paralisação do setor. É importante ressaltar que todas as funções estão interligadas, sendo que um profissional depende do outro para fazer a cadeia girar e proporcionar que o consumidor final tenha acesso aos itens essenciais. Por exemplo, sem motoristas a carga não chegaria, sem os promotores o consumidor teria mais dificuldade em fazer as compras, e por aí vai.

E, para apoiar a jornada de trabalho desses profissionais, tornando-a mais eficiente e inteligente, é de suma importância adotar tecnologias específicas para facilitar as ações em cada setor. A área comercial pode ser potencializada com o uso de uma plataforma de e-commerce e com aplicativos direcionados à força de vendas, que auxiliam o trabalho do vendedor apoiando as necessidades do cliente com vendas consultivas e que se voltam para o mix ideal, entre outras funcionalidades. As vendas também podem ser potencializadas a partir de experiências omnichannel, facilitando a jornada de compras do consumidor e possibilitando que ele compre on-line sem perder a negociação com o vendedor, unindo venda física e virtual para ampliar as possibilidades de conversão.

Já os sistemas de gestão facilitam o controle dos processos, o acompanhamento das metas e dão informações que ajudam no aumento da produtividade e lucratividade. Para o setor logístico, o uso de sistemas de WMS (Warehouse Management System) auxiliam na organização do armazém, o que resulta em eficiência operacional, algo que traz muitos benefícios e evita o desperdício. Além disso, sistemas que auxiliam na organização do caminhão e da rota dos pedidos também fazem com que o processo logístico avance.

Dentro do PDV, tecnologias podem auxiliar o promotor com aplicativos que permitem check-in e check-out no cliente, registro de organização do PDV com fotos, comunicação mais rápida e fácil com os gestores, acompanhamento de métricas e dados para evitar rupturas e potencializar vendas. Todas essas tecnologias, se combinadas, representam um grande ganho na operação logística.

Os momentos emergenciais, assim como o de pandemia, mudaram muito a maneira sobre a qual a sociedade enxerga os profissionais da cadeia de abastecimento. Mais do que nunca, eles, somados ao uso de tecnologias, foram os grandes aliados e permitiram que a cadeia de distribuição continuasse a girar. É hora de devolver o que esses colaboradores deram à sociedade: empatia e importância.

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* Rafael Martins é CEO do Grupo Máxima, líder em soluções de força de vendas e e-commerce, trade marketing e logística para a cadeia de abastecimento.

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