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Bolha logística 3.0: como estourá-la e levar sua empresa ao estágio da revolução 4.0

 

Publicado em 16/02/2021

 

“Data is the new oil”

No mundo da revolução 4.0, dizer que os “dados são o novo petróleo” chega a ser uma obviedade.

É como dizer que na logística, um gestor de sucesso carrega em uma das mãos uma calculadora e na outra um relógio.

 

Na era da hiper conectividade, algoritmos inteligentes fazem o trabalho duro, máquinas aprendem, os carros são autônomos, a informação virou commoditie e, casas, carros e itens de reposição já podem ser impressos em 3D, os dados gerados têm a capacidade de decifrar comportamentos e prever o futuro de pessoas e negócios.

Se, o detentor desses dados souber o que fazer com eles, é claro.

Pois, se uma empresa gera um grande banco de dados, mas não sabe como extrair, minerar, tratar, aprimorar e transformá-los em informações úteis para a tomada de decisão, não gera riqueza alguma.

 

Sendo pragmático; uma empresa que gera dados e não os utiliza de maneira inteligente para potencializar a logística em termos de eficiência, performance, redução dos custos e encantamento do cliente, está deixando muitos milhões na mesa do desperdício.

 

E sendo mais pragmático ainda; essas empresas estão aprisionadas na bolha da Revolução 3.0, ou seja, tem internet, tem computadores, são capazes de gerar um grande big data, mas ainda seguem fazendo autópsias, ou seja, verificando a causa mortis, enquanto deveria fazer biópsia, para que a “morte” não ocorra.

 

Quer entender cada uma das revoluções? Sugiro o artigo: A revolução 4.0 está impactando o futuro do trabalho e exigindo novos skills para ter sucesso em um mundo novo.

 

Legal, se você ainda está aqui é porque consegui chamar sua atenção. E posso te adiantar que não irá se arrepender de ler este artigo até o final.

Vou te trazer propostas seguras para que possa estourar a bolha 3.0 ainda em 2021, colocando sua empresa para surfar a onda da revolução logística 4.0.

 

Mas antes de falar da bolha 3.0, permita-me voltar no assunto dos dados como o novo petróleo.

Debatemos toda essa dinâmica no artigo anterior. Se você o perdeu segue uma nova opção de leitura completar: Se sua logística não está sendo guiada por dados, ela não está sendo guiada.

 

Quem abriu o artigo, viu que me comprometi a trazer os indicadores mais importantes que devem fazer parte da logística.

No entanto, antes disso, quero dar uma cutucadinha (com carinho) e explicar por que é importante falar de indicadores dentro do tema “bolha 3.0”.

Se você é gerente, diretor ou presidente de uma empresa que está presa na bolha 3.0, talvez não goste do que vou dizer agora, mas vamos lá!

 

A verdade é que ter tecnologia à disposição, gerar uma grande base de dados, mas não conseguir transformar esses dados em indicadores que apoiem a tomada de decisão no dia a dia, de preferência on-line e real time, não resolve muita coisa.

 

É o papo da autópsia x biópsia que falamos lá em cima.

Na cadeia logística, olhar os números de ontem ou anteontem para decidir hoje, é trabalhar sobre o leite derramado.

Daí, você diz: Ah, Achiles, mas é melhor do que não fazer nada!

Concordo!

Entretanto, fazer biópsia é medir a febre da operação hora a hora e fechar torneiras de desperdício em tempos, movimentos e rupturas podem salvar alguns bons milhões da conta logística.

Sem falar na reputação do negócio e encantamento dos clientes.

Enfim, penso que já nos entendemos nesse ponto e podemos ir para o assunto pretendido.

 

Indicadores vitais e indispensáveis

 

Os KPI’s, sigla em inglês para Key Performance Indicator, ou seja, Indicador-chave de Performance, não apenas medem a eficiência dos processos, mas facilitam o entendimento e orientam a tomada de decisão.

Se seu negócio não está sendo guiado por eles, tem grandes chances de não estar sendo guiado de forma nenhuma.

É o que diz o estatístico e professor William Edwards Deming, que é também conhecido como “pai da qualidade”:

 

“Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, e não há sucesso no que não se gerencia”

 

Portanto, realizar uma correta análise e ter uma compreensão completa de todas as ações e objetivos da empresa é fundamental para torná-la competitiva e referência no mercado.

Com essas práticas, a produtividade aumenta, os desperdícios de materiais são reduzidos, a execução das tarefas são agilizadas e os lucros do negócio maximizados.

 

Vamos aos KPI’s?!

Chegada a hora de definir os KPI’s que serão medidos, reitero que não tenho a pretensão de escrever nada na pedra. Trata-se de uma sugestão!

 

12 indicadores que não pode ficar sem serem medidos

 

  1. Indicadores de estoque – giro, ruptura, OSA (On Shelf Availability), perdas, tempo de reposição, cobertura e ponto de pedido;
  2. Produtividade do armazém: eficiência do picking/packing, produtividade homem/hora, percentual de avaria, tempo de reposição, acuracidade do inventário;
  3. Pedido perfeito – temos alguns que se complementam: OTIF (On Time, In Full), que significa “completo e no prazo”. OTD (On-Time Delivery) que tem a missão de mensurar o percentual de pedidos entregues dento do prazo acordado com o cliente. OCT (Order Cycle Time) ou Tempo de Ciclo de Pedido. (OFR) Order Fill Rate que tem como finalidade medir a performance da empresa ao processar os pedidos;
  4. Drop Size (o tamanho da entrega) – coeficiente entre o volume total do pedido e a quantidade de entregas (peso líquido ou metragem cúbica médio por entrega realizada, pode se usar a métrica também por volume);
  5. Custos de Transporte como um % das Vendas ou Freight Costs as % off Sales – mostra a participação dos custos de transportes nas vendas totais da empresa;
  6. Custo de frete por unidade – revela o custo do frete por unidade expedida. Pode também ser calculado por modal de transporte;
  7. Produtividade média dos caminhões: tempo médio de entrega (carga, trânsito, descarga e esperas), variabilidade do tempo de entrega;
  8. Coletas no prazo ou On Time Pickups – avalia a utilização da capacidade de carga dos veículos de transporte utilizados;
  9. Frota disponibilizada x frota utilizada – possibilidade de enxergar falta ou sobra de veículo transportador;
  10. Ociosidade x ocupação – percentual utilizado da capacidade do caminhão;
  11. Serviços de urgência – o percentual e o custo de atendimentos a “queima roupa”, não programados com antecedência;
  12. Resolução de reclamações (call center) – políticas de devolução, pagamento de descargas, pagamento de reentregas, pagamentos de diárias, procedimento de cobranças.

 

Sei que condensei muitos indicadores em cada um dos pontos. Sei também que a depender do setor, existem outros tantos que precisam ser medidos.

A lista é uma sugestão e cabe a cada gestor desdobrá-la de acordo com a necessidade do negócio.

Mas não somente isso.

 

É preciso ter ação, plano de ação com dono, meta, prazo e reuniões constantes de atualização.

 

Torne os indicadores conhecidos. Faça gestão. Cobre os responsáveis, acompanhe os números e garanta que as tratativas estejam acontecendo.

 

Estoure a bolha 3.0

 

O primeiro passo para a mudança é reconhecer onde se está e quais são os problemas existentes.

Se sua empresa está entre as organizações que ainda não saíram da bolha 3.0, incomode-se com isso.

Esteja inconformado por não ter à disposição e em tempo real todas as informações que precisa para tomar a melhor decisão.

Se tem alguém que faz mais barato, rápido e enxuto que você, então você também pode fazer mais barato, rápido e enxuto.

Olha só, desculpas e justificativas do porquê a inovação está distante de sua área não colam mais.

Na era em que vivemos, existem milhares de soluções simples e baratas para sanar problemas de conectividade, tecnologia, processos e gestão.

Empresas (CNPJ) são conduzidas por pessoas (CPF). Em algum momento muito breve, o CPF do mais alto escalão, podendo ser o dono, presidente ou CEO, se perguntará por que a empresa ainda não está surfando a onda 4.0 e colhendo todos os benefícios desse mar de inovação.

E talvez, a solução proposta seja: precisamos trazer gente que pensa diferente, fora da caixa, disruptivamente.

 

Você vai esperar isso acontecer, ou vai levantar e movimentar todo o “petróleo”, os dados?

Chame a equipe, faça brainstorm, procure os benchmarks, inove no modo como está fazendo as coisas!

 

“Inovação é a exploração com sucesso de novas ideias.”

 

Achiles Rodrigues

Por Achiles Rodrigues

Nexialista com mais de 20 anos de experiência no mundo corporativo. Logístico de “pai, mãe e parteira”, já atuou nos mais diversos setores e segmentos como gestor de logística, transportes e melhoria contínua. Formado em administração, teologia e pós-graduado em logística e Supply Chain, está atualmente como head de Marketing de vendas e projetos na Moby Consulting, consultoria especializada em implementação e operação de Torre de Controle Logístico. É também colunista da revista MundoLogística e fundador dos blogs clubedalogistica.com.br e achilesrodrigues.com.br.

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