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Chega de desrespeitar a conta de transportes ou sua empresa irá a ruína

 

Publicado em 01/04/2022

Responsável por planejar o melhor modal e a movimentação ideal para garantir integridade da carga, dentro do prazo esperado e no melhor custo possível, a logística de transportes é o que encanta acionistas e clientes
 


Arte: Divulgação

O transporte está na cabeça de todo mundo que pensa em logística – um fator de encantamento do cliente capaz de gerar repetição da venda quando bem-feito, por outro lado, uma enorme dor de cabeça para muitas empresas e gestores, especialmente quando subestimado, incompreendido, desrespeitado. Por ser o maior custo da logística, podendo chegar a 70% do seu custo total, não aceita desaforos.

Mas, antes de falarmos do porquê não aceita desaforos, permita-me esclarecer que a logística é muito mais que transporte.

Na caixa da logística empresarial existem outras áreas: estoque, planejamento, controles, armazenagem, aquisições, movimentações internas, pós-vendas, reprocessamentos, transportes e outros importantes processos. Porém, a logística de transportes ao longo dos anos veio ocupando um espaço importante como marketing e diferencial competitivo na economia 4.0: superconectada, bem-informada e muito mais exigente.

Responsável por planejar o melhor modal, a movimentação ideal da mercadoria, no menor tempo possível, garantindo a integridade da carga, dentro do prazo esperado e no melhor custo possível, a logística de transportes é o que encanta acionistas e clientes.

A LOGÍSTICA DE TRANSPORTES NA MIRA DAS GIGANTES

Na esteira das grandes transformações, o varejo – antes eletrônico, agora de tudo, representado pelas gigantes Magalu, Mercado Livre, Via, B2W, Amazon e outros – vem disputando palmo a palmo o mercado da logística de transportes. Entregar mais rápido que os concorrentes, na qualidade e quantidade esperada, com um pós-venda efetivo e no custo ideal é o que determinará quem se consolidará como líder de mercado e empresa mais valiosa.

Para isso, essas gigantes estão investindo pesado na aquisição de startups de: logística, tecnologias e processos.

O ranking feito pela plataforma de inteligência de dados em inovação Sling Hub, mostra que o número dessas aquisições foram recorde na América Latina. Até agosto de 2021, 195 startups regionais foram compradas em processos de M&A (fusão e aquisição). Só em 2020, aconteceram 200 negociações do tipo – e 83% de todas as startups adquiridas na América Latina foram brasileiras, a Magazine Luiza encabeçando a lista com 25 delas.

Em miúdos, grandes e antenadas empresas buscam meios para gerir e equilibrar nível de serviço e o custo de servir. Obviamente entenderam uma verdade incontestável e absoluta: NÃO existe frete grátis. E é lógico que o gestor ou empresa que não entender e aprender a otimizar bem essa caixa chamada Transportes, estará fadada ao fracasso absoluto, à bancarrota.

A essa altura, acredito que você já esteja convencido que o transporte é uma área que não aceita desaforos e que você precisa dominar essa ciência, não é mesmo? Acredito que sua resposta seja um sonoro sim, entretanto, ela deve vir acompanhada de uma pergunta crucial:

Como fazer da minha logística de transportes um diferencial competitivo?

Quem bom que perguntou! Aperte os cintos que vou te dizer algumas “duras” verdades e trazer dicas poderosas para uma gestão eficiente de sua conta de transportes.

GERINDO DE FORMA EFICIENTE A LOGÍSTICA DE TRANSPORTES

Posso começar de forma bem direta? Bom, espero que não se importe. Muitas empresas mostram desrespeito a caixa de transporte quando não colocam um gestor focado nessa conta.

Não sei exatamente se é desrespeito ou desconhecimento... mas é bem comum ver essa caixa como parte do escopo de um gestor de Supply Chain e até dentro da caixa de suprimentos.

Erro crasso.

Estamos diante do maior custo logístico (até 70%) e do novo marketing na nova economia. É sério mesmo que tanto dinheiro envolvido não legitima a contratação de um bom gestor?

Claro que sim, não é?

Dito isso, a primeira dica é:

Tenha um gestor de transporte focado nessa conta

Com escopo passando diretamente por:

  • Homologação e gestão de fornecedores;
  • Acompanhamento e controle dos custos de frete (pagamento, cobrança, acuracidade), organização de RFP’s para bidings, acordos e contratos comerciais etc.;
  • Monitoramento da performance da frota: lembrando que performance é a soma de eficiência + produtividade;
  • Gestão de tempos e movimentos, bem como dos gargalos, rotas longas demais, ociosidades e perdas, clusterizacão, ocupação, drop-size, paradas não programadas e processos correlatos.

Esteja aberto ao que está acontecendo no mercado

No passado era muito comum empresas trancadas a sete chaves escondendo aquilo que se chamava de “segredo industrial”. Não se fazia muitas ações compartilhadas e “boas práticas” eram pouco divulgadas.

Essas barreiras caíram. Cada vez mais faz-se necessário compartilhar entregas, trocar boas práticas, buscar no mercado o que cada player está fazendo para reduzir seus custos, otimizar os processos e aprender juntos.

Esse gestor deve estar atento a todas essas tendências de mercado:

  • Precisa se conectar com outros players, fazer benchmarking, trocar experiências, saber o que os outros estão fazendo, se comunicar bem e encontrar parcerias.

Faça a composição dos custos de frete corretamente

Logística é também lógica. Portanto, saber compor os custos do frete corretamente é fundamental, tanto para transportadores, quando para embarcadores.

Ao compor o frete fique atento a:

  • Frete peso: custos fixos e variáveis;
  • Frete valor ou ad-valorem: (DAT)– Despesas administrativas e de terminais, (GRIS) – Taxa de gerenciamento de risco, pedágios, impostos e tributações;
  • Taxas adicionais.

Adeque a gestão do negócio ao momento 4.0

Na nova economia, produto da era 4.0, equilibrar nível de serviço e custo de servir só é possível com apoio da tecnologia ideal, processos bem padronizados e pessoas certas em cada posição. Se seu negócio não tem controle, visibilidade e previsibilidade da cadeia de transportes, provavelmente você está fazendo autópsia e não biópsia operacional.

Explico: você descobre que o cliente não recebeu a mercadoria só quando ele te liga soltando os cachorros? Apesar de saber que existe uma sazonalidade em épocas específicas do ano ou mesmo no fim do mês, você ainda fica correndo atrás de caminhão spot para atender as vendas? Sua conta frete sempre estoura? A gestão dos insumos e gastos com estadia, reentregas, descargas e fretes extras são sempre uma surpresa ruim?

Se as respostas forem sim, você está dirigindo um carro (negócio) olhando pelo retrovisor.

Nesse cenário não é possível sobreviver por muito tempo. Você está resgando dinheiro, acabando com a reputação do negócio e dando espaço para a concorrência.

  • Implemente uma Torre de Controle ou CCO para monitorar, programar, roteirizar e gerir sua logística de transportes.

Logística é gestão de tempos, movimentos e eficiências. Sem controle, visibilidade e previsibilidade da cadeia, você só terá um bom nível de serviço se seu custo de servir for estratosférico.

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E aí, o que achou da nossa conversa?

Dá pra continuar a tratar a conta de transportes da forma que vem tratando ou irá dar a atenção que ela merece?

Achiles Rodrigues

Por Achiles Rodrigues

Nexialista com mais de 20 anos de experiência no mundo corporativo. Logístico de “pai, mãe e parteira”, já atuou nos mais diversos setores e segmentos como gestor de logística, transportes e melhoria contínua. Formado em administração, teologia e pós-graduado em logística e Supply Chain, está atualmente como head de Marketing de vendas e projetos na Moby Consulting, consultoria especializada em implementação e operação de Torre de Controle Logístico. É também colunista da revista MundoLogística e fundador dos blogs clubedalogistica.com.br e achilesrodrigues.com.br.

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