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Como uma torre de controle pode maximizar eficiências e reduzir os custos no agronegócio

Publicado em 21/11/2019

 

A atividade agrícola e a logística andam juntas desde que nossos antepassados começaram a cultivar sementes e a produzir alimentos para o próprio sustento no fim da idade da pedra lascada.

Inicialmente, bastava lançar sementes ao chão em terras próximas a várzeas e esperar pela colheita. Os séculos se passaram e as áreas próximas aos rios já não eram suficientes. Fez-se necessário desbravar novos campos onde era preciso levar as sementes, insumos e às vezes a própria água, fundamental para a produção.

Os veículos e ferramentas utilizados eram inicialmente manuseados pelos homens, depois pela tração animal. Quem nunca viu ou ouviu falar dos velhos carros de boi?!

 

Parece um tempo muito distante, mas, os fundamentos e a essência do agronegócio não mudou muito.

Atualmente, as discussões são as mesmas, porém poucos se dão conta disto. A diferença é que hoje, um grão de soja produzido em Sorriso-MT, precisa ser colhido por colhedoras extremamente eficientes, ser transportado por caminhões até um armazém para transbordo a poucos quilômetros dali, ser carregado em um vagão e rodar centenas de quilômetros por ferrovia até o porto de Santos-SP ou Porto de Itaqui em São Luis-MA, ser novamente transbordado para um armazém portuário, depois carregado em um porão de navio e atravessar o Oceano Atlântico até alcançar o porto de Rotterdam na Holanda, onde ainda será transbordado para outros veículos até que um dia será utilizado para alimentar os animais europeus.

O mais interessante, é que os compradores não estão muito preocupados com toda esta “ginástica” para entregar o produto lá não. O que importa para eles é a cotação da bolsa de Chicago e o ETA – Estimated Time of Arrivalda mercadoria.

Eles vão no máximo, discutir um prêmio ou um deságio com a trading dependendo das condições contratuais, qualidade, país de origem, impostos, taxas, assim por diante.

Contudo, ainda que o comprador não se importe com tamanha ginástica logística, ele certamente pagará pelo custo dela que estará embutido no custo final do produto, ou não, uma vez que o commodity pode ter seu preço transformado pela flutuação de mercado; oferta x demanda, complicando os custos da produção, mas disso falaremos mais adiante.

 

A importância da tecnologia logística no agronegócio 

Em plena revolução moderna, digital, ou como especialistas preferem chamar: 4ª Revolução industrial, que se caracteriza por uma internet onipresente e móvel, inteligência artificial, máquinas que aprendem, big data, realidade aumentada, robótica e tantas outras tecnologias disruptivas, a logística que está intimamente ligada a todo esse malabarismo não pode de modo algum ser negligenciada.

A cadeia logística, ou cadeia de abastecimento no agronegócio, vai desde a preparação da terra, aquisição e transporte dos insumos para o plantio, tratos da plantação, colheita, armazenagem e entrega final. Sem falar na necessidade de logística reversa.

Sendo responsável direta por até 25% do custo total do produto final, e, presente em todas as fases da cadeia, a logística, que não é só o transporte como a maioria pensa, é de importância basal na qualidade, nos tempos e custos de qualquer operação. O que demanda especial preocupação com o modelo de gestão e tecnologias a serem incorporadas.

Amigo produtor, em tempos de tecnologias exponenciais, se na sua fazenda você ainda não utiliza plataformas de gestão modernas ou ainda não tomou a decisão de investir em sistemas e ferramentas de gestão logística capazes de administrar sua produção online, recomendo dar uma olhadinha no carro de boi.

 

Como a torre de controle logístico pode maximixar a eficência e reduzir os custos operacionais? 

Atualmente, o estado da arte da logística está nas Torres de Controle, capazes de planejar, monitorar e controlar a operação de forma online, real time, on time.

Quem assistiu Apolo 13 com o Tom Hanks, ou viu a central de operações dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016 sabe do que estou falando.

Essas incríveis salas de gestão são capazes de assistir a uma operação a distância, tudo através de equipamentos instalados no campo, não só em solo ou embarcados nos veículos, mas também nos céus. Não há limite para este ferramental, podendo ser utilizado desde equipamentos eletrônicos básicos, passando por drones e até mesmo satélites.

Embora pareça filme de ficção científica, é assim mesmo que acontece hoje. Aliás, esta tecnologia já estava disponível a décadas mas era restrita a usos militares.

O que mudou no mundo digital, globalizado e altamente conectado onde estamos imersos?

Tudo isso ficou razoavelmente mais barato e acessível, permitindo às empresas que utilizassem na gestão de suas operações.

Mas todo este aparato só tem razão de existir para responder a uma única pergunta:

O que meus equipamentos produtivos estão fazendo agora?

Um agricultor ou um CEO do agronegócio que não é capaz de responder a esta informação não tem sua operação na mão e, consequente, não controla adequadamente seus custos.

 

Há um princípio em administração que muitos gestores ignoram:

Aquilo que não se pode medir, não se pode melhorar” (William Thomson)

Se você não é capaz de medir o tempo produtivo de suas plantadoras, tratores, colhedoras e outros veículos, você está rasgando dinheiro.

A logística moderna do agronegócio é capaz de responder a esta pergunta e atacar as causas da improdutividade, transformando tempos perdidos no campo como:

  • Troca de turnos de operadores mal feitas;
  • Falta de diesel;
  • Falta de peças campo para manutenção;
  • Identificação quebras recorrentes e correção dos ofensores;
  • Excessos de paradas desnecessárias por boicote operacional (corpo mole) por parte de pessoas mal intencionadas;
  • Parada de colhedoras ou plantadoras por falta de tratores ou caminhões.

 

Enfim, uma torre de controle logística é capaz de reduzir em muito o tempo perdido no campo, aumentando significativamente a produtividade dos equipamentos, especialmente os de custo mais elevado.

O aumento de produtividade na ordem de 10 a 20% (estamos sendo extremamente conservadores) é muito comum em operações melhor estruturadas. Equipamentos mais produtivos, substituem os menos produtivos e a matemática para nossa sorte é uma ciência exata.

Exemplo:

Se você produz com 11 colhedoras em sua operação e, através de uma torre de controle, você consegue aumentar em 10% a produtividade de 10 delas, você será capaz de produzir a mesma coisa com apenas 10 equipamentos, reduzindo 1 colhedora da sua frota e toda a cadeia de apoio para ela. Isto significa menos operadores (redução de OPEX) e menos capital empregado em ativos (redução de CAPEX).

Infelizmente, mesmo fazendo tudo isto o preço da soja em Chicago não vai mudar.

Mas, felizmente, seus custos serão de 10 a 20% menores que de seus concorrentes e, consequentemente, seu lucro será muito maior do que o dele. Em poucos anos, você terá dinheiro suficiente até mesmo para comprá-los!

 

Controle bem o que depende de você para ser menos impactado pelo que não depende

Enquanto escrevemos este artigo vejo o dólar atingir o patamar de R$ 4,20; o petróleo atingi U$70 o barril e o BACEN tenta explicar aos mercados porque a taxa Selic permaneceu em 5,5% ao invés de baixar para 5,25% a.a. como era esperado. Sem falar ainda em greves como a dos caminhoneiros que parou o país.

Mas, o que tudo isto tem a ver com o “pobre” produtor de soja?

Tentaremos explicar de forma simplista.

Além do óbvio preço da saca de 60kg da soja ser negociado em dólar na bolsa de Chicago, o preço internacional do petróleo é base para formar o preço do diesel, insumo este consumido tanto nos tratores do cultivo, quanto na colhedora da fazenda, quanto nos caminhões que falamos mais acima, quanto na locomotiva que levará o produto até o porto, quanto no motor do navio que atravessará o oceano.

Já a Selic servirá de base para formar os juros dos contratos de compra dos tratores, das sementes, das colhedoras, dos caminhões… enfim, acho que deu para entender.

 

Por que ter uma torre de controle?

Como já citamos, uma torre de controle alicerçada em tecnologia de ponta, processos bem definidos e pessoas bem preparadas é sem dúvida nenhuma um diferencial competitivo para qualquer negócio, podendo oferecer:

  • Centralização logística: localização geográfica e estratégica da central logística garantindo adequação a estratégia, padronização e uso de beachmark;
  • Monitoramento e rastreamento: uso de tecnologia embarcada para controle total dos ativos em tempo real, tratando desvios e aumentando diretamente a eficiência dos mesmos;
  • Programação de transporte: roteirização e despachos de caminhões para coletas e entregas visando a rota ideal, mais segura e econômica;
  • Gestão do melhor modelo de Report informativo: equalização e padronização de relatórios gerenciais e definição de canais de compartilhamento apoiando na tomada de decisão;
  • Métricas: medição hora a hora da operação para acompanhamento e ação corretiva;
  • Scalation List: processo que visa contato direto com a liderança para escolanemento dos problemas buscando solução imediata para os desvios;
  • Melhoria contínua: faz uso de ferramentas e conceitos de melhoria contínua em todas as suas fases.

 

Enfim, se deseja maximizar sua eficiência logística, ter controle operacional, tático, estratégico e custos reduzidos, implante já uma torre de controle logístico.

Para finalizar, diremos que utilizamos o exemplo da soja mas o mesmo vale para qualquer commodity agrícola como o milho, cana de açúcar, o algodão, o trigo, assim como também serve o racional para gado, aves e suínos.

 

Ah, lembra do pobre e velho carro de boi? Bom, ele ainda tem uma vantagem nos mundos de hoje: não precisa de diesel para rodar.

 

 

 

Coautoria: Eduardo Barradas

 

Achiles Rodrigues

Por Achiles Rodrigues

Possui mais de 16 anos de atuação em logística, transportes, processos e pessoas. É professor de liderança e criatividade e um entusiasta do mundo digital. É graduado em administração de empresas, Teologia e pós-graduado em MBA Logística e Supply Chain.

 

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