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Logística é a ciência dos detalhes e não saber o que isso significa pode acabar com sua carreira e negócios

 

Publicado em 14/07/2020

 

As maiores perdas na logísticas estão nos detalhes que a maior parte dos gestores ignoram ou desconhecem.

São milhões de reais que saem pelos ralos dos desperdícios acabando com os lucros, as margens e com a reputação de gestores e empresas.

Minha experiência de anos e anos fechando pequenas "torneiras de desperdício" mostrou-me que o que realmente impacta a última linha do custo é aquilo que geralmente desprezamos.

E qual a solução para todo esse caos?

Leia o artigo até o final e descubra o que você pode estar fazendo de errado, ou, o que os grandes líderes de mercado estão fazendo para maximizar a eficiência e os lucros.

Atenção: no fim do artigo te darei cincos dicas de ouro que podem levar sua logística ao nível que sempre sonhou.

 

Logística: a ciência dos detalhes

A logística sempre foi uma área estratégica que se destaca especialmente em tempos de crise.

A história valida isso quando aponta a logística como ciência dos detalhes e parte estratégica essencial na arte da guerra.

No livro Sumário da arte da guerra (1836) o Barão Antoine-Henri Jomini (1779-1869), principal teórico militar do século XIX, cunhou pela primeira vez o termo logística, onde dividiu a arte da guerra em seis partes: política, estratégia, grande tática, logística, engenharia e tática de detalhes.

Nele, Antoine-Henri, além de cunhar o termo logística, definiu-a como “a ação que conduz à preparação e sustentação das campanhas”, e a classificou como “a ciência dos detalhes dentro dos Estados-Maiores”.

No mundo atual a logística tornou-se marketing. Com a vida digital, tudo está ao alcance de um clique, e é através da logística que grande parte das empresas chega até seus clientes...

Que, online e em tempo real, consultam a reputação da empresa, comparam preços, acompanham o ciclo do produto e esperam por entregas cada vez mais rápidas, com qualidade e de preferência com frete grátis.

Algo que eu já disse que não existe:

Não existe frete grátis, o que existe é logística inteligente
Nesse mundo novo, toda essa informação à disposição exige dos negócios uma reinvenção na gestão logística, visto que, as pessoas estão mais ansiosas e consequentes mais exigentes.

 

Fazer logística custa caro, fazê-la de forma errada custa negócios

De acordo com o FMI: fundo monetário internacional, os custos logísticos representam em média 13% do PIB. Para as empresas os custos logísticos podem variar de 5% até mais de 35% das vendas (para a maioria delas esse número fica entre 14 e 25%).

Embutido no custo logístico, as despesas com transportes podem chegar até 63% dos gastos, acompanhado em seguida do custo de estoques, armazenagem e movimentação e outros.

Geralmente, o alto custo logístico é atribuído ao custo Brasil, isto é, a falta de infraestrutura ideal, burocracia e corrupção.

O que não deixa de ser uma verdade.

No entanto, os gestores devem se concentrar naquilo que eles podem controlar: os desperdícios do Supply Chain (cadeia de suprimentos).

Você já deve ter ouvido dizer que o diabo mora nos detalhes não é?!

E como mora.

Mas, antes de falar sobre quais torneira de desperdício se concentrar, permita-me fazer um rápido apanhado da importância da logística nas crises. Especialmente na que estamos vivendo.

 

Na crise a logística está salvando muitos negócios

Assim como o ar (guardada as proporções), a logística está em todos os lugares e é essencial para a vida, no entanto, só nos lembramos dela quando falta, ou, em momentos de crise como a que a que estamos vivendo.

A pandemia teve início há 3 meses. Desde lá, a gente vem lutando contra um inimigo poderoso, invisível e letal.

Que além de mortes, vem provocando uma crise econômica sem precedentes, não só no Brasil, mas no mundo.

Trancados em casa, assistimos países fechando suas fronteiras, comércios baixando suas portas, fábricas inteiras dispensando seus funcionários e milhões de autônomos sem renda.

Um verdadeiro caos se instalando.

Por outro lado, pudemos ver hospitais tradicionais sendo ampliados, unidades hospitalares móveis sendo construídos (famosos hospitais de campanha), o varejo se digitalizando, o e-commerce crescendo vertiginosamente e o Delivery salvando pequenos e grandes negócios.

Uma crise que revolucionou a forma como vivemos e fazemos negócios.

E, no meio dessa revolução, a logística se mostrou mais uma vez indispensável.

 

A logística está sendo a atriz principal na pandemia

Com a pandemia do coronavírus, a logística esteve presente:

  • - No insumo hospitalar que chega (ou não) ao hospital, ou mesmo na fabricação e importação dos insumos;
  • - No abastecimento de cada farmácia, no álcool em gel que você usa nas mãos ou máscara que protege seu rosto;
  • - No alimento que saí do produtor e chega em cada mercadinho nos cantos mais remotos do país;
  • - No Delivery que leva até a sua porta o medicamento, o mantimento e itens de uso básico;
  • - No transporte de pessoas com segurança para os postos de serviços essenciais
  • - Nas transferências de hospital para hospital, casa para hospital e toda a logística funerária (que não vou me ater a detalhes aqui, mas, saiba que é extremamente complexa).

 

E olha que o que citei acima é só a ponta do iceberg.

Pense que na parte submersa, aquela que a gente não vê. Nela tem uma variedade gigante de outros serviços logísticos.

 

De acordo com um levantamento feito pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm), o Brasil abriu mais de uma loja virtual por minuto desde o início do isolamento social em março.

Em pouco mais de dois meses, foram 107 mil novos estabelecimentos criados na internet.

Dito isso caro leitor, você já entendeu bem como a logística esteve, está e estará sempre presente e, como protagonista nos momentos mais decisivos não é?!

 

Quais torneiras podem ser fechadas para eliminar desperdícios e maximizar ganhos 

Representando o elo entre todas as expectativas geradas por departamentos como: vendas, Marketing, finanças, custos, pesquisa e desenvolvimento, produção ou todos os setores, a logística está em todas as fases e processos de desenvolvimento de qualquer produto ou serviço.

Presente em todos os dias da semana, durante todo o ano.

Os grandes negócios, só são grandes, porque focaram na logística como o centro da experiência de cliente.

Podemos pegar a Amazon como um exemplo de case de sucesso.

Uma empresa do seleto grupo de empresas com valor de mercado superior a um trilhão de dólares que chegou onde está por entender o valor da logística para um negócio moderno.

Se quiser saber como a Amazon fez da logística seu centro de experiência máxima, leia o seguinte artigo: Como a Amazon fez da logística seu grande diferencial competitivo

Mas, o que você deve estar se perguntando é sobre como fazer para chegar no topo onde as grandes estão.

Pois bem. Chegou a hora do momento mão na massa.

Conforme prometido trarei abaixo 05 "torneiras" imprescindíveis para a operação, e, que se tiverem vazando, seus custos logísticos irão as alturas...

 

1 - Tempos e movimentos
Na logística o gestor deve ter calculadora em uma mão e relógio na outra.

As maiores perdas se concentram em tempos perdidos e movimentação desnecessária.

E é sempre no balanço anual que se percebe o tamanho do buraco dessa conta.

É quando se vê:

  • - Quantos mil quilômetros foram rodados a mais que o orçado (erros de roteirização, devoluções de cargas etc.);
  • - Quantos dias ou meses perdidos em horas de carga, descarga ou espera;
  • - Quanta janelas de entrega perdidas por erro em agendamento;
  • - Quanta inconsistência de pagamentos por falta de tecnologia de gestão.


Atenção para um conceito importante: É de centímetro a centímetro que se chega a um metro. De metro em metro que se chega a quilômetros.

De segundo a segundo se chegam aos minutos e de minuto em minuto se chega as horas.

Ou seja, não espere o balanço mensal ou anual para começar a gerenciar os detalhes da operação.

 

2 - Drop Size 
Drop Size é o tamanho da entrega: coeficiente entre o volume total do pedido e a quantidade de entregas (peso líquido ou metragem cúbica médio por entrega realizada, pode se usar a métrica também por volume).

Ele deve cair ou subir?

Quanto maior o Drop Size: melhor os custos da entrega, otimização dos veículos, aumento da eficiência operacional e etc.

"Queda de braço" com o cliente?

Quem paga pelo frete deseja e precisa aumentar o Drop Size, pois como vimos, além de determinar o tamanho do veículo, determina também a frota necessária para atender a demanda, logo uma questão de custos.

É claro que a negociação com o cliente não será fácil. Quem vende quer entregar pedidos cada vez maiores, otimizando a frota e os custos. Entregar 15 toneladas de uma só vez na quinzena é melhor que entregar 7,5 tons em duas visitas.

Entretanto, para o cliente o melhor dos mundos é que a entrega aconteça em pequenas quantidades, assim ele não precisará de grandes espaços para armazenagem, pois sabe que produto em estoque é dinheiro perdido.

Para ler mais sobre Drop Size, veja o seguinte artigo: Drop Size e sua Importância para a gestão do transporte. 

 

3 - Ocupação veicular 
O conceito de capacidade ociosa, ou idle capacity deve ser bem entendido e aplicado.

Toda logística bem preparada e eficiente deve ter um indicador chamado Ociosidade x Ocupação.

Como a descrição sugere, esse indicador confere o quanto de carga é colocado no veículo comparado ao seu espaço físico.

Antes de aumentar a frota ou contratar mais veículos, verifique a ociosidade dos veículos transportadores (o conceito serve também para armazém).

Maximize o uso daquilo que já está pago.

É preciso não esquecer da gestão dos inputs das medidas corretas das embalagens de embarque nos sistemas, paletização do produto, mecanismos de carregamento e outras variáveis.

 

4 - Escopo de serviços mal definidos com o fornecedor de logística ou embarcador

Esse é um ponto crucial em qualquer negócio, porém muitas vezes negligenciado.

Geralmente o escopo é feito uma vez e logo se torna obsoleto, necessitando de mudanças ou atualizações conforme o negócio cresce, as vendas aumentam, novas fusões acontecem, etc.

Atente-se para um escopo sempre atualizado e, ao negociar e documentar o escopo, foque nos seguintes pontos:

  • - Nível de serviço esperado;
  • - Perfis dos veículos;
  • - Perfis de motoristas;
  • - Detalhes da estrutura de armazenagem: tamanho, exclusividade, qualidade, limpeza;
  • - Modelo de cobrança;
  • - Frequência de cobrança ou pagamento;
  • - Tecnologia à disposição.

 

5 - Tenha uma torre de controle 
Torre de controle é uma central de integração e inteligência logística que visa aumentar a eficiência da cadeia produtiva com foco em planejamento, processos, execução, métricas e correção de desvios em tempo real.

Um hub de informações e deliberações centralizadas que é o verdadeiro estado da arte da gestão moderna e que pode garantir uma grande fortuna, minimizando erros, eliminando desperdícios e maximizando a eficiência de toda a cadeia.

Uma metodologia de gestão fundamentada nos pilares de segurança, qualidade, produtividade e redução de custos.

Que tem como ferramentas principais:

  • - Cascateamento de metas;
  • - Automação;
  • - Rastreabilidade;
  • - Monitoramento;
  • - Programação;
  • - Padronização operacional;
  • - Adoção de métricas;
  • - Excelência na execução.


Para saber mais pesquise os artigos:

  • - Seis coisas que você deveria saber antes de dizer que entende de torre de controle logístico;
  • - Torre de controle logístico: gestão, eficiência e redução de custos para sua operação logística.


A logística é de fato uma ciência de detalhes. Logo, ter gestão eficiente e focada em seu detalhes evitará muita dor de cabeça, bem como desperdícios milionários, mas não apenas isso.

Como vimos, estamos diante de uma área que é um grande diferencial competitivo para aqueles que sabem como ela funciona. Podendo ser uma área de encantamento do cliente.

 

Achiles Rodrigues

Por Achiles Rodrigues

Possui mais de 16 anos de atuação em logística, transportes, processos e pessoas. É professor de liderança e criatividade e um entusiasta do mundo digital. É graduado em administração de empresas, Teologia e pós-graduado em MBA Logística e Supply Chain.

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