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Logística em alta na pandemia: sem respostas prontas, mas com tendências claras

 

Publicado em 24/03/2021

 

A pandemia mudou rapidamente nosso comportamento em relação ao consumo e ao universo on-line, e algumas mudanças vieram para ficar. Tendências relacionadas a como trabalhamos, aprendemos e usamos a tecnologia estão mudando cada vez mais rápido. Enquanto algumas já estavam crescendo antes mesmo deste cenário, vemos uma aceleração que levará a um possível "novo normal" mesmo após a crise.

Portanto, imprevisibilidade é o nome do jogo - não esperem respostas prontas, porque elas não existem!
Diante disso, é fundamental ter a humildade de reconhecer que não temos todas as respostas, com a clara noção de que cuidar da saúde das pessoas é a maior prioridade do momento, que precisamos entender onde estão as fragilidades dos processos na cadeia de suprimentos.

 

Alguns insights fundamentais que mostram caminhos e tendências da logística pós-Covid-19:

  • - Prioridade curto prazo: Preservar o caixa das empresas - despesas com inventários, movimentação em armazéns, transportes, processamento de pedidos representam em média 1/3 dos gastos das empresas. Tem que se buscar cada otimização possível;
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  • - Logística em alta: Com um salto de quase 50% no faturamento em 2020, o comércio eletrônico fez com que as empresas se reinventassem para manter o ritmo de vendas mesmo com a  pandemia. O senso de urgência da digitalização aumentou e a procura por profissionais também. A demanda por espaços em galpões aumentará - inclusive frigorificados- assim como a aderência ao last mile;
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  • - O foco muda: De preço e velocidade. Para inclusão de elementos como riscos/saúde/impacto ambiental;
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  • - Disrupção entre oferta e demanda: imprevisibilidade quebra as cadeias de suprimentos e exige um nível inédito de flexibilidade;
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  • - Resiliência = gestão de riscos: A crise escancara as vulnerabilidades da supply chain. É muito comum que a ruptura ocorra em fornecedores, por isso ter uma forte governança implementada é fundamental. Avaliações mensais de performance, reuniões de resultados, muita proximidade e planos alternativos em caso de falha. Essa avaliação determinará como cada risco afetará seus negócios, produtos, pessoas, cadeia de suprimentos, operações e clientes;
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  • - Fortalecer o ecossistema fora das nossas paredes: fornecedores, parceiros, distribuidores, prestadores de serviço, clientes - todos compartilhando dados;
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  • - Revisão da malha logística: dependência de um único ponto deixa de existir, exemplo é a própria crise do Coronavírus. Respiradores vêm da China, insumos médicos vêm da Índia, autopeças vêm da China. A globalização vai acabar? Creio que não, mas haverá mudanças geopolíticas significativas, regionalizações com impactos nas malhas de fornecimento - o protecionismo ganha força;
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  • - Tempos rápidos de resposta: Relatório da Capgemini mostra que apenas 23% das organizações de produtos de consumo e apenas 28% dos varejistas acreditam que a cadeia de suprimentos que possuem atualmente é "ágil o suficiente para suportar as necessidades de negócios em evolução". As carências são principalmente na baixa capacidade de detectar flutuações de demanda e na pouca visibilidade dos pontos críticos de seus processos;
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  • - Automação e aceleração digital: Mais simulações, mais análises com dados confiáveis. Normalmente, sistemas de automação na cadeia de suprimentos já eram utilizados, porém, suas utilizações tendem a ser ampliadas mais rapidamente, incluindo a robótica, veículos autônomos, Big Data, Internet de coisas e impressão 3D;
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  • - Mentalidade base zero: reconstruir projetos, budget, metas de forma flexível conforme conjuntura.

 


Conclusão

O mundo já foi transformado pela pandemia de Covid-19 e, embora muitas dessas mudanças tenham destruído a sociedade, muitas outras apresentam um futuro novo e positivo a que podemos aspirar.

É hora de reavaliar nossas vidas e nossas estruturas logísticas como nunca antes!

Se algo ganhou mais importância estratégica após o Covid-19, com certeza foi o setor de logística em todas as suas dimensões.

 

Luís Eduardo Ribeiro

Por Luís Eduardo Ribeiro

É Gerente Regional de Operações da Martin Brower, líder global em soluções logísticas de ponta a ponta para redes de restaurantes. Ao longo da carreira, liderou a supply chain de empresas como DHL, Carrefour, Ponto Frio, bioMérieux etc. Em 2016, planejou e executou a logística de alimentos para as Olimpíadas RIO-2016. Recebeu Moção de Reconhecimento da Assembleia Legislativa do RJ pelos serviços prestados como Administrador de Empresas. Foi eleito Profissional de Logística do Ano pela Revista MundoLogística.

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