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Prepare-se para o maior desafio logístico da próxima década

 

Publicado em 16/06/2020

 

A nova década que se iniciará no dia 01/01/2021 testemunhará um dos maiores, mais interessantes e mais complexos embates na história da logística: a disputa entre Torres de Controle.

 

Torre de Controle é uma metodologia de gestão que utiliza informações em tempo real para a tomada de decisão, estratégica, tática e operacional, a partir do monitoramento de variáveis-chave para a sua operação logística. Torres de Controle apoiam-se em pessoas, processos e cada vez mais em tecnologias, que nos permitam atuar de forma corretiva, preventiva e preditiva. Por detrás das Torres de Controle estão as palavras colaboração e visibilidade, e é aí que reside o problema: Torres de Controle interagirão entre si, na busca e na superação dos objetivos traçados, mas, se não existir um alinhamento de interesses entre as empresas, como obter uma postura colaborativa ganha-ganha que sustente esse relacionamento no longo prazo?

Permita-me explicar tudo isso com um breve exemplo: imagine uma grande multinacional, fabricante de bens de consumo, que na sua logística inbound (entrada) conte com algumas dezenas de Fornecedores, dentre eles, grandes e médias empresas, tanto nacionais como multinacionais, e na outra ponta, na logística outbound (saída), a empresa dependa de diferentes tipos de canais de distribuição para escoar suas mercadorias, composto por centenas (ou até milhares) de empresas, de diferentes portes, utilizando, para isso, dezenas (ou centenas) de prestadores de serviços logísticos. Nessa complexa cadeia de abastecimento, com diversas empresas conectadas entre si, quem comandará a operação logística?

Diversos questionamentos surgirão ao longo dos próximos anos, diante da possibilidade de interação entre diversas Torres de Controle: (1) qual Torre de Controle prevalecerá sobre as demais? (2) como isso funcionará na prática, na rotina diária das empresas? (3) como lidaremos com a discordância entre as empresas atuantes em uma mesma cadeia de abastecimento?  (4) quais serão as tecnologias (blockchain por exemplo) que direcionarão as parcerias entre as empresas, garantindo transparência de dados e facilitando a tomada de decisão em tempo real? (5) serão desenvolvidos protocolos padrão para lidar com ocorrências ou para mensurar o desempenho, por exemplo? (6) Operadores Logísticos evoluirão para se transformar em “gestores” de condomínios virtuais que abrigarão diversas Torres de Controle? (7) existirá uma Torre de Controle mãe, gerida por alguma entidade pública ou privada, que exercerá domínio sobre as demais Torres de Controle? (8) empresas desprovidas de Torres de Controle serão excluídas dessas cadeias de abastecimento?

Torres de Controle ainda parecem ser uma realidade distante para a grande maioria das empresas no Brasil, mas diante dos fatos recentes como a pandemia do Covid-19, ficou clara a relevância do tema e a urgência em fazer isso funcionar. Se você ainda não tem uma Torre de Controle, então precisará se mexer ao longo desta nova década, para não ficar literalmente para trás. Empresas sem uma Torre de Controle, muito provavelmente, não poderão fazer parte dessas novas cadeias de abastecimento, super interconectadas.

Torres de Controle têm um imenso escopo a ser explorado. Ainda estamos em sua fase embrionária. As poucas Torres de Controle já existentes mal tratam (ainda) do potencial da atividade de transporte de cargas, mas, com o tempo, evoluirão para a gestão de toda a cadeia de abastecimento, se integrando, a princípio, internamente, com diversos outros setores e processos (S&OP por exemplo) da própria empresa, e, depois, buscarão a conexão com outras empresas, Clientes ou Fornecedores. Ao longo dos próximos anos, cada vez mais caminharemos em direção ao SCCT – Supply Chain Control Tower, que em nada lembrará as iniciativas realizadas ao longo desta década que está terminando.

A implantação de uma Torre de Controle demandará alguns bons anos de dedicação da sua empresa. Portanto, mexa-se. Só não fique parado! Isso poderá custar a sobrevivência do seu negócio!

Bom trabalho! Trabalho não faltará!

 

Marco Antonio Oliveira Neves

Por Marco Antonio Oliveira Neves

Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda

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