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Greve dos caminhoneiros? Veja como gerenciar sua logística durante a crise

 

Publicado em 09/09/2021

Devemos estar preparados e ter uma estratégia definida para enfrentar cenários imprevistos de forma a conseguir manobrar e reagir em situações onde o descontrole parece total


Foto: Douglas Magno/O Tempo/Estadão Conteúdo

Recentemente nas nossas memórias, temos os impactos da Greve dos Caminhoneiros de 2018 que impactou severamente a distribuição de cargas no país e causou diversos problemas de abastecimento em muitos setores da economia. A paralização durou dez dias intermináveis em um momento em que as pessoas não estavam preparadas para quaisquer adversidades desse tamanho. O crescimento das filas de pessoas desesperadas por compras nos supermercados e filas para abastecer o automóvel eram os principais assuntos dos telejornais.

Após as diversas intercorrências políticas do nosso país nos últimos anos, observamos uma crescente pressão para mudanças de alguns políticos que jogam contra o desenvolvimento do país dentro dos três poderes, o que é percebido com cada vez mais clareza pelos trabalhadores e diversos profissionais que se esforçam noite e dia para um país melhor. Esse cenário, um pouco diferente de 2018 nos faz entender um pouco melhor que a duração dos possíveis bloqueios, pressão popular e desfecho da história são uma incógnita.

Devemos estar preparados e ter uma estratégia definida para enfrentar cenários imprevistos, influenciar e gerenciar todos os pontos aos quais temos acesso na nossa rede de contato de forma a conseguir manobrar e reagir em situações onde o descontrole parece total.

A estratégia, segundo o dicionário Michaelis, é: “a arte de utilizar planejadamente os recursos que se dispõe ou explorar de maneira vantajosa a situação e condições favoráveis que porventura se disfrute de modo a atingir determinados objetivos”. Isso se confunde com os objetivos que temos que enfrentar diariamente em nossas operações sendo um entendimento importante para quem busca desenhar um planejamento estratégico.

A construção de um plano de emergência para enfrentamento de situações complicadas, crises e outros distúrbios deve considerar toda a complexidade do negócio para o qual se trabalha, sendo muito diferente um plano de uma cadeia de suprimentos farmacêutica, de uma food-service, de uma agro, de uma automotiva ou de um e-commerce. Os pilares para construção do plano devem ser claros e auxiliarão no contorno das adversidades.

Antes de iniciar a construção dos planos, é importante nomear uma equipe de trabalho que ficará focada apenas no gerenciamento da emergência. Essa equipe deve ser multifuncional com representantes de todos os departamentos de maneira a permitir que as decisões sejam tomadas na maior velocidade e segurança possível. Um comitê de gerentes ou diretores pode ser essencial.

  1. Mapeamento do negócio: Todos os gestores devem ter em suas mãos um mapa do negócio para entender com clareza e poder comunicar à equipe de gestão dos recursos, qual é a situação atual do negócio, pontos de abastecimento e distribuição e principalmente tamanho e qualidade dos estoques em cada um dos pontos. O objetivo aqui é identificar os potenciais de ruptura.
  2. Informação atualizada e confiável: O monitoramento em tempo real dos bloqueios e do andamento das situações de emergência deve ser feito por uma ou mais pessoas da equipe dedicadas exclusivamente ao levantamento das informações e comunicação para o restante da equipe. Importante evitar cruzamento de informações e fontes divergentes.
  3. Mapeamento de rotas e caminhos alternativos: Em alguns momentos é possível identificar rotas alternativas ou veículos alternativos para abastecer os pontos mais críticos da sua operação evitando ou atenuando os efeitos de ruptura como resultado dos bloqueios.
  4. Plano de comunicação: Temos muitos exemplos de como a informação mal transmitida pode gerar o caos desnecessário em uma sociedade. A definição do plano de comunicação passa pela seleção das fontes de informação, canais de comunicação internos entre os departamentos e canais de comunicação externos, para compartilhamento de informações com os clientes.
  5. Planejamento de atendimento e estabilização: Após a finalização dos bloqueios, é muito importante ter um plano claro e detalhado do que se deve fazer. Priorizações de remessas e atendimentos, reorganização de pedidos e até limpeza de sistema devem ser planejados e ajustados para permitir o retorno ao normal o mais rápido possível.

A elaboração de um plano estratégico para gerenciamento de crises não costuma ser a prioridade da maioria dos gestores no nosso país, porém essencial para a sobrevivência e perenidade dos negócios em momentos complicados. Nunca saberemos quando será a próxima.

A comunicação é a ferramenta mais eficaz para a garantia do trabalho da equipe envolvida e deve ser cuidadosamente planejada e coordenada, a fim de garantir a motivação e engajamento da equipe durante o período de alto stress e incerteza garantir o abastecimento dos clientes e mercados consumidores dos produtos essenciais atenuando ao máximo os impactos gerados pela situação.

 

O artigo sobre o plano de emergência completo para atendimento de uma operação de Food Service durante a crise de 2018 foi publicado na Edição N. 68 e está disponível aos assinantes.

Paulo Tavares

Por Paulo Tavares

Consultor e Professor FGV, é fundador da Tavares Consultoria e Treinamento (www.tavaresconsult.com.br), oferece experiência de mais de 25 anos em Supply Chain Management e ocupou cargos importantes em diversas empresas, dentre elas Thyssenkrupp, Natura e Bosch. Possui experiência em projetos logísticos internacionais de grande porte e gestão de equipes de alto desempenho em ambientes complexos de indústria e varejo em diferentes segmentos. Professor de MBA da Fundação Getúlio Vargas - FGV nas áreas de Gestão de Operações & Supply Chain, Estratégia, Finanças e Projetos.

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