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Logistica 4.0: as 07 regras de ouro para sua empresa implantar a cultura da inovação

Publicado em 09/10/2019

Sempre ouvi dizer que é na crise que as pessoas se reinventam, que as oportunidades surgem, e as invenções nascem.

E não tem sido diferente na logística.

Desde a crise que se iniciou em 2014, uma grande gama de soluções começaram a ser pensadas, desenhadas e lançadas justamente com o objetivo de tornar este mercado mais competitivo.

O principal sentimento que o mercado logístico vem percebendo é que fomentar a cultura da inovação tem sido primordial para impulsionar novas iniciativas e despertar o instinto de sobrevivência deste setor que luta para se manter vivo.

A questão principal que tenho observado são empresas com menos de 5 anos de existência movimentando volumes que algumas demoraram 20 anos, e além de tudo sem a necessidade de investimentos em frotas, estruturas físicas e nem um grande número de pessoas nas operações.

Elas estão existindo graças ao que chamamos de tecnologia e muita competência em repensar processos, mas principalmente pautados em novas tendências de estimular seus colaboradores a pensar e a trazer novidades.

Participando do evento Logistica Innovation Day promovido pela StarSe, notei a grande quantidade de pessoas e empresas interessadas em como se alinhar a inovação.

Confesso que fiquei orgulhosa em perceber o interesse dessa nossa classe logística no tema, e todos notaram que as coisas estão mudando mais rápido do que imaginavam.

Sim entendi como funcionam as novas empresas, mas e as empresas de logística que já existem, como irão superar e implantar a tal cultura de inovação?

Achei surpreende quando trouxeram o case da Patrus, uma empresa nacional com mais de 45 anos no mercado brasileiro e que trouxeram uma reflexão bem interessante que dizia: Protagonista ou espectador da Inovação?

Através de uma linha do tempo, relataram todas a dificuldades em mudar a cultura, levando a troca de pessoas que resistiam, a cara feia de motoristas com implantação das novas tecnologias pois começaram a se sentir mais vigiados, enfim até o momento que a organização como um todo sentiu que aquele era um “mal” necessário para garantir o futuro de grande parte deles.

Muitos logísticos acreditavam até pouco tempo que a retomada da demanda, reorganizaria e traria de volta a sonhada margem de lucro, mas diante das novas formas de fazer logística e das que ainda virão, acho muito pouco provável que o mercado volte a absorvê-las.

Mas como implantar a cultura de inovação?

Para começar precisamos entender inicialmente quais as principais regras e ações para a implantação da cultura de inovação, e por último irei destacar as principais dificuldades.

Vem comigo nessa.

Tenho como inspiração e admiração o mestre Marcelo Pimenta um especialista em descomplicar a inovação, ele indica as principais regras de ouro para implantar a cultura da inovação o seguinte:

 

1 - LIDERANÇA

A liderança atua como inspiração, o apoio da liderança é fundamental. O líder deve se aproximar de seus liderados, deixando seu ego bem guardado numa gaveta, e lembrar diariamente que o que lhe trouxe até ali, não será o que o levará adiante.

O primeiro ponto é que o líder realmente eficiente é aquele que cumpre na prática aquilo que prega. “As empresas que mais conseguem inovar são aquelas em que a liderança tem alto comprometimento com o tema inovação“, diz Fernanda Aidar, Innovation Product Manager da ACE.

“O líder tem um papel fundamental, como um todo, na inovação. Mais do que apoiar, ele tem que dar exemplo.”

E como é dar esse exemplo? “O líder é o primeiro que deve romper as barreiras para inovação. Essas barreiras são: os longos rituais para aprovar projetos, situações políticas, burocracias… tudo isso é causa de fracasso de um processo de inovação.”  

Outro erro comum dos líderes é querer dizer o que deve ser feito. “O líder deve ter o papel de facilitador e deixar o time inovar por conta própria. Ele faz perguntas e guia o time para o resultado, e muitas vezes esse resultado vai ser diferente – e melhor – do que o líder pensava no começo do projeto”, diz a especialista da ACE.

2 - TOLERE ERROS

Não há como inovar sem errar. O erro é inerente ao processo de inovação. Existem coisas que precisam ser testadas na prática, para só então ser aprimoradas.

Se você deseja que sua equipe tente inovar, deve encorajar iniciativas. A inovação precisa de um pouco de ousadia para acontecer.

Mas lembre-se: quem nunca errou, nunca tentou algo novo. Esteja preparado para os erros, saiba como analisá-los de forma produtiva, extraia as lições que eles podem oferecer e estimule sua equipe a recomeçar da melhor maneira possível.

Nossa cultura tem como expor e ridicularizar aqueles que erram, portanto pense 2 vezes antes de expor ou criticar o erro, lembre-se ele faz parte da melhoria.

3 - AMBIENTE PARA INOVAÇÃO

Reserve uma sala para que as pessoas desenvolvam inovação e criatividade, o ambiente deverá favorecer que o líder se aproxime dos seus liderados, distribua flipchats, post-it, permita um espaço onde as pessoas tenham liberdade para expressar suas ideias e opiniões.

Tenha sempre em mãos a opinião de seus clientes, principalmente as más avaliações, elas irão te direcionar um caminho e priorizar projetos.

4 - FERRAMENTAS DE INOVAÇÃO

Algumas ferramentas são para serem construídas a longo prazo como CANVAS, BSC (Balanced Scorecard),Design Thinking entre outras.

Outras ferramentas são utilizadas para tomada de decisões como Matriz de SWAT, Diagrama de Pareto, Pirâmide de Maslow entre outras.

E aquelas focadas em fazer acontecer como ciclo PDCA, 5W2H, A3 Thinking e muito mais.

O Marcelo Pimenta, disponibiliza diversas ferramentas para o desenvolvimento da inovação, caso precisa click aqui.

5 - RESILIÊNCIA A INOVAÇÃO

É necessário ter uma visão do amadurecimento do empreendedor com relação a inovação, pois quanto mais cresce mais difícil vai se tornando o processo de inovação.

6 - VONTADE DE APRENDER SEMPRE

O sentimento de que aprender é algo constante deve ser prioritário para os empreendedores, os negócios estão em constante mudança, o comportamento humano também, portanto abrace o novo sempre.

7 - CONTROLE DO EGO

Um dos maiores problemas dentro do nosso setor logístico é o controle do ego de nossos gestores, eles acreditam que como já deram certo uma vez que darão certo sempre, que a ideia original deverá surgir deles, e como geralmente digo, as respostas que buscamos geralmente está dentro da própria empresa, portanto escutem seus colaboradores e seus clientes.

O ego não pode tomar frente na rotina das atividades. Quão mais participativo é o empreendedor, mais eles podem inspirar suas equipes e encantar seu público-alvo.

Independente de qual for a situação, colocar o trabalho e as pessoas que precisam de ajuda como prioridade é uma maneira infalível para garantir o bem-estar de seus colaboradores.

Lembre-se sempre que inovação tem tudo a ver com humildade.

Escute mais, o poder de uma reclamação pode transformar seu negócio pois será ela que te dará o norte para descobrir novas formas de atender as expectativas dos seus clientes.

Crie um ambiente onde as pessoas podem se expressar livremente e desenvolver o intraempreendedorismo.

Surfe cada vez mais na onda do usuário, e nunca se esqueça que atualmente os menores estão competindo com os maiores.

Como diz a grande empreendedora Cristiana Arcangeli: “Quando você inova você sai da vala comum onde todas as pessoas estão discutindo preço.”

 

AS DIFICULDADES

Sem dúvida que no processo de implantação da cultura de inovação surgirão dificuldades, e achei importante falar delas para que você saiba como lidar com cada uma delas.

Achei uma pesquisa bem interessante realizada por uma empresa de consultoria chamada Imaginatik, que a princípio identifica algumas das principais dificuldades, para que novamente nos leve a pensar em como superá-las, sendo elas:

1. A cultura corporativa

Apesar de um clichê o que cultura corporativa de fato significa?

Dando um exemplo bem prático, a cultura corporativa pode significar desde oferecer refrigerantes e salgadinhos aos funcionários até criar um programa de voluntariado ou exercícios físicos. Tudo isso para fazer com que os empregados tenham mais satisfação no escritório.

Da mesma forma que pode ser uma alavanca para a inovação, a tal da cultura corporativa pode representar um obstáculo. Por exemplo, se na sua empresa, ela se focar mais em aspectos de política e burocracia, provavelmente vai sufocar a inovação.

Refletindo para dentro da realidade logística se os gestores são do tipo que querem agradar a todos e preso a velhos processos, pois ele teve sucesso com ele no passado, lá se vai a tentativa de implantar a inovação.

2. Falta de continuidade à ideia

Ter ideias inovadoras é a parte fácil do processo, mas a falta de empenho em fazer estas ideias saírem do papel é outra grande ameaça.

De acordo com a pesquisa 34% relataram que esse é um dos maiores problemas que se deparam em suas empresas quando o assunto é inovação.

É preciso criar um ambiente que permita essa execução. Empresas bem-sucedidos em promover a inovação muitas vezes tem uma equipe ou uma pessoa dedicada à essa tarefa.

Não é fácil adequar os times a novos processos. Aliás, muitas vezes, é bastante complicado fazer pessoas abraçarem ideias inovadoras. Assim, sem um cultura de continuidade, parece mais simples/lógico que o projeto simplesmente fracasse antes de ter qualquer tipo de tração.

3. Financiamento e recursos limitados

A inovação não acontece apenas porque as pessoas querem. Sua empresa precisa aplicar fundos e recursos para ser efetiva.

De acordo com a pesquisa, apenas 16% relataram "investimentos agressivos" orientados à um time dedicado à inovação e 13% afirmaram que recebem recursos para aplicarem em ferramentas e tecnologias inovadoras.

“Investimentos são necessários para se conseguir tanto as melhores tecnologias quanto as melhores pessoas. É aí que muitas iniciativas são trancadas. Os negócios querem continuar com uma abordagem de experimentação, mas não quer pagar para fazer isso”, comentou um executivo de um conglomerado multibilionário de logística e serviços financeiros que respondeu o estudo. 

Novamente trazendo a realidade logística do momento, como investir num mercado retraído?

4. Falta de tempo

Não importa o segmento. As empresas estabeleceram alguns métodos que colocam seus colaboradores sob intensa pressão para que produzam mais em menos tempo. Logo, resta a dúvida: como acomodar a inovação no tempo que resta do dia dos trabalhadores? A adição de esforços de inovação tende a sobrecarregar ainda mais as pessoas.

A logística vive sem tempo, por esta razão é muito importante atribuir a função de avanço a uma pequena equipe mais restrita e focada em avançar com a inovação.

5. Baixa taxa de adoção

Inovação geralmente reflete a gerar ações que tirem postos de trabalho.

Nota-se um clima de “ceticismo” nas estruturas corporativas, que ganha força a partir de sucessivas falhas e abandonos na implementação de projetos. Algumas empresas relataram que processos inovadores, muitas vezes, ficam restritos a departamentos.

6. Processos burocráticos

Para as empresas, orientadas por processos, pode ser difícil manter um ritmo acelerado de inovação. Essas organizações, normalmente, são mais avessas a risco e tem o desafio de fazer um esforço intenso na gestão da mudança.

Fala-se muito na adoção de um modelo que imprima nas grandes corporações o processo de inovação visto em uma startup. Para isso, o consultor afirma que é fundamental uma grande reformulação de departamentos.

7. Muito centrada no retorno sobre o investimento

Talvez a maneira mais fácil de implementar uma ideia é mostrando o quanto aquilo trará de retorno sobre o investimento. Porém, quando se trata de inovação, o ROI pode não ser a métrica mais adequada.

Inovar pressupõe assumir riscos e, muitas vezes, a pessoa por trás da ideia não terá como a empresa conseguir lucrar com aquele projeto.

Diversas empresas acreditam que não há razão para embarcar em uma ideia sem que ela prove que trará retorno. Mas, como saber que, mesmo com o ROI delineado, na prática e ao final da execução do projeto, aquilo vai se comprovar?

Notaram como inovar dá trabalho?

Perceberam também como este é um caminho sem volta e determinante para empresas num futuro bem próximo?

 

Olhar para dentro de casa e perceber onde sua empresa pretende atuar no futuro serão ações determinantes para então projetar investimentos, estabelecer parcerias e desenhar seu plano de negócios.

Mas nunca se esqueçam que seus clientes irão determinar o caminho e seus colaboradores irão te ajudar a desenha-lo.

Mãos a obra, abrace o novo e nunca deixe de aprender.

Até a próxima.

 

Rosana Corrêa Leite

Por Rosana Corrêa Leite

17 anos de experiência no mercado logístico, atua agora com consultoria em logística, transporte e inovação. Tem contribuído com conteúdos que levam o segmento a repensar o hoje e principalmente o futuro. Possui graduação em Computação e Pós-Graduação em Logística e Supply Chain.

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