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Economia e política desafiando a gestão de compras

 

Publicado em 17/05/2020

 

Atravessamos um período conturbado no Brasil e de difícil mensuração das consequências que essa crise sanitária deixará como “legado”. O crescimento por meio de reformas estruturantes que poderiam contribuir para melhorar a condição e qualidade de vida do trabalhador, as condições externas favoráveis que poderiam colaborar para o superávit da balança comercial brasileira e inúmeras outras ações que poderiam ser envidadas para qualificar o ambiente de negócios, continuam sendo importantes, contudo o inimigo prioritário a ser combatido hoje se chama Covid-19 e esse colocou o mundo, inclusive o Brasil de joelhos, exortando-nos a uma redefinição forçosa de prioridades.

Há uma onda de pessimismo no país, motivada pela herança da má gestão da economia, cuja mediocridade não se deve exclusivamente à crise internacional e isso criou o temor de colapso. A perda de capacidade de articulação política para aprovar medidas indispensáveis, o mercado de trabalho combalido, os recursos para os investimentos em infraestrutura suspensos ou postergados, tudo isso coopera para a atmosfera de incertezas aos olhos dos investidores potencialmente interessados em fazer negócios no Brasil. É fundamental uma reflexão sobre todas as mazelas que permeiam as esferas política, econômica e ética, as quais desqualificam o ambiente de negócios, drenam a energia e a capacidade de impulso do país, e produzem forte influência na gestão de compras.

A perda de otimismo e o arrefecimento da atividade econômica fizeram o Brasil perder posições em um ranking de competitividade, que analisou o desempenho da economia de diversos países. O Brasil está sofrendo de uma queda na economia doméstica e de opiniões menos otimistas dos executivos de negócio. A redução da competitividade, na aldeia global, afugenta os investimentos e maximiza a desconfiança do empresariado, em relação à capacidade de reação do país, nesse contexto desfavorável.

A produtividade e a eficiência são a mola propulsora da competitividade, as companhias estão aumentando os seus esforços para minimizar o seu impacto ambiental e prover uma forte estrutura organizacional, na qual a força de trabalho se desenvolva, todavia,  é necessário um ambiente econômico e político transparente, ético e sério, para que as bases da credibilidade possam ser construídas e a confiança resgatada.

A retomada da economia brasileira dependerá da execução do ajuste fiscal, proposto pelo governo, porém, outras medidas, entre elas reformas estruturantes como comentei no início do artigo, são vitais para assegurar a fortaleza e sustentabilidade econômica do país no médio e longo prazo.

A atual conjuntura da economia brasileira demanda, ainda mais, da gestão de compras, a adoção de um posicionamento mais estratégico e assertivo, para combater as incertezas e flutuações do mercado.

Um dos grandes desafios, com o qual se deparam as instituições na atualidade, é a limitação dos recursos disponíveis para manter as suas operações em um mercado cada vez mais competitivo, que comprime as margens de lucro e pressiona as empresas para manter os preços de venda mais baixos.

Contratos cancelados e queda expressiva nas vendas, o mercado que vivia uma forte expectativa de expansão, agora experimenta a retração econômica e os seus indesejáveis efeitos nas projeções de crescimento.

A crise é uma realidade e, para minimizar tais feitos, as empresas precisam cortar gastos com critério e responsabilidade. Com esse cenário como pano de fundo, é indispensável alocar esses recursos limitados da melhor maneira possível.

A gestão de Compras tem sido demandada para dar subsídio e responder a duas questões simultaneamente: 1. Onde e como se deve gastar dinheiro eficazmente? 2. Quanto se deve gastar (limite)?

Concomitantemente a isso, a gestão de compras precisa, também, garantir qualidade a cada produto ou serviço ofertado, ou seja, o ideal de se produzir mais com menos recursos agora é fato, não se adequar a essa nova regra significa assumir riscos ainda mais devastadores para o negócio. Por conseguinte, o corte de gastos é uma ação que deve ser criteriosa e bem estruturada.

A gestão de compras deve assumir o protagonismo e com o seu background, apontar caminhos de oportunidades, ajudar a evitar e/ou minimizar os gastos desnecessários, repelir desperdícios e despertar a consciência de aplicação responsável dos recursos da companhia devem ser um mantra a ser perseguido por todos, de forma obsessiva.

Essas são algumas ações estratégicas que a gestão de compras pode adotar para contribuir e ajudar a preservar a lucratividade e a competitividade do negócio, principalmente, em momentos de forte turbulência como o que estamos vivendo.

 

Sandro Reis

Por Sandro Reis

Coordenador dos programas de MBA Executivo em Procurement, Gestão de Contratos e Supply Chain Management no Instituto A Vez do Mestre e na Universidade Veiga de Almeida, especialista em oratória profissional, professor e palestrante do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças, Instituto Nacional dos Executivos de Suprimentos, membro da Comissão de Logística do CRA-RJ, profissional com vasta experiência em gestão de negócios, trajetória de 20 anos em gestão e profissionalização das áreas de Suprimentos e Contratos em empresas de grande porte – Vale S/A, White Martins, Icatu Seguros e Comitê Olímpico 2016.

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