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Entrevista com o presidente do Agro Merchants Group, David Palfenier, sobre o ingresso no mercado latino-americano

 

Publicado em 20/01/2015

Agro Merchants Group inicia operações na América Latina
Grupo investiu, estrategicamente, na empresa brasileira Comfrio Soluções Logísticas, buscando ampliar sua rede logística, com variados modelos, processos e sistemas, e serviços de valor agregado, tecnologia, planejamento, capital e experiência

Por Viviane Farias | Redação MundoLogística 

Filho de missionários batistas, que chegaram ao Piauí, em 1961, David Palfenier, presidente do Agro Merchants Group na América Latina, considera-se “brasileiro” desde sua infância, pois aqui passou grande parte de sua vida. Palfenier cursou a faculdade nos Estados Unidos e trabalhou na P&G, em Cincinnati, cujo crescimento profissional proporcionou a oportunidade de retornar ao Brasil em 1991, como diretor de Marketing da Elma Chips/Frito-Lay/PepsiCo, dando início a uma longa trajetória na América Latina com a PepsiCo.

Nesse ínterim, passou alguns anos no México, para, então, vir ao Brasil como presidente da Elma Chips. Depois de assumir a vice-presidência na matriz, nos Estados Unidos, surgiu a oportunidade na ConAgra Foods, onde foi presidente de vários negócios, mas, principalmente, de duas áreas relevantes para o seu projeto atual: congelados e divisão internacional. No Brasil, tornou-se CEO da Seara, em 2012, posição que ocupou até a venda para a JBS, em 2013. 

Tanto na Elma Chips, quanto nos negócios da ConAgra e Seara, desenvolveu seu conhecimento na área de logística, inclusive, na necessidade de uma logística mais eficiente e avançada nos mercados emergentes, em particular na cadeia de frios. Aliás, em 2005, integrou-se a um grande operador logístico, com expressivos ganhos de eficiência e serviço, mesmo nos padrões altos dos Estados Unidos. Nessas idas e vindas ao Brasil, angariou a experiência que o levou a se associar com o Agro Merchants Group e o seu sócio financeiro Oaktree Capital Management, para construir uma rede logística de frios, nos moldes americanos/europeus, na América Latina.

Em entrevista à revista MundoLogística, Palfenier conta sobre o investimento estratégico na empresa brasileira Comfrio Soluções Logísticas, que deu início às operações do Agro Merchants na América Latina e estabeleceu as bases para o grupo construir uma ampla rede logística em toda a região.

MUNDOLOGÍSTICA: Quais as soluções que o Agro Merchants Group oferece e seus diferenciais competitivos?
DAVID PALFENIER: A proposta do Agro Merchants é, principalmente,voltada a soluções inovadoras de logística para os nossos clientes, começando com os que temos no exterior, mas, também, com vários clientes regionais e é, claro, incorporando os locais que, provavelmente, serão os que mais se beneficiarão com as soluções que temos. Não possuímos proposta única como solução, apesar de haver, ao nosso dispor, as melhores tecnologias do mundo, entre as diversas instalações do grupo. A solução dependerá do problema dos clientes. Portanto, o nosso objetivo tem de incluir desde soluções para o global trade, em frigoríficos portuários, até a logística complexa dos mercados internos de cada país, varejo e food service, porque temos clientes em toda a gama de frios: importadores, exportadores, fabricantes/produtores, varejistas pequenos e grandes, e food service. Temos encontrado soluções no exterior, que nos solicitam no Brasil. Isso é o que nos fez investir na América Latina. O ímpeto e a visão do grupo são, realmente, direcionados pelos clientes. As soluções, então, são os diferenciais, com os mais variados modelos, processos e sistemas, e serviços de valor agregado, tecnologia, planejamento, capital e experiência. Com relação ao Brasil, especificamente, mas que também se repete nos outros mercados da região, temos grande respeito pelo empresariado no setor frigorificado, que tem feito avanços importantes para acompanhar a explosão de demanda do mercado de frios. Porém, os empresários comentam a respeito do alto investimento para passar ao próximo nível de eficiência internacional. Mesmo que o capital para isso fosse acessível, haveria os riscos de investimentos tão grandes em tecnologias novas, com que ainda não têm experiência. Que ninguém se iluda, não é nada fácil enfrentar desafios como os brasileiros. Entretanto, ajuda muito ter capital e experiência com essas novas tecnologias.

Como surgiu a ideia de investir na empresa brasileira Comfrio Soluções Logísticas?
O interesse na Comfrio surgiu de um ponto de vista muito importante para o grupo, quando entra em um novo mercado. Acreditamos ser essencial ter um parceiro local, que conheça o mercado e os detalhes operacionais, e que esteja atendendo, pelo menos, alguns dos nossos clientes globais. Esse parceiro tem de estar entre os melhores e mais respeitados operadores do mercado, o número um, inclusive, se possível. Em busca desse parceiro no Brasil, a Comfrio se destacou como um dos líderes do setor, não só pelo tamanho, mas, também, pela reputação de qualidade e nível de serviço. Posso, inclusive, dar meu próprio aval de quando era CEO da Seara, que estava entre os melhores fornecedores logísticos que tínhamos. O mesmo aconteceu no Chile, onde acabamos de fechar com a Icestar, também líder de mercado, com a mais alta reputação de qualidade de serviço e em franca expansão pelos próprios méritos: qualidade e excelência de serviço, e reputação. A Comfrio representa isso, por isso entramos na sociedade, apesar de ter outro controlador, a Aqua Capital, devido à importância de termos uma empresa como a Comfrio no grupo, o que aumenta, e muito, a probabilidade de êxito do nosso projeto.

O que essa iniciativa agregará estrategicamente ao Agro Merchants Group?
Esse projeto para o Agro Merchants Group representa um sinal forte aos nossos clientes, pois buscamos realizar o que nos pediram, expandindo o nosso alcance além dos Estados Unidos e da Europa, para os mercados emergentes, a começar na América Latina e na sua maior economia, o Brasil. País absolutamente vital para qualquer empresa global e uma economia gigante por si só, independentemente do global trade. Não ignoramos o momento difícil que o País enfrenta, atualmente, e estamos cientes de que as soluções serão complexas e controversas, e não se resolverão de um dia para o outro. Mesmo assim, o grupo e o seu sócio financeiro têm a convicção de que o Brasil seguirá sendo muitíssimo importante. Inclusive, investimentos como o nosso não apenas têm de ser feitos no Brasil, apesar dos desafios, mas podem até contribuir para um país mais eficiente e competitivo. Para os nossos clientes, é excelente a notícia de que estamos chegando, o que confirma a importância desse projeto para o Agro Merchants Group.

Como o grupo pretende construir uma ampla rede logística na América Latina?
A extensão do projeto para o resto da América Latina se desenvolverá da mesma forma que no Brasil. Aliás, começa em janeiro, no Chile, país também importante para o global trade e sede de grandes clientes regionais, no continente, que têm carências logísticas. Assim será, dentro do possível, nos outros mercados importantes para os nossos clientes, na região: achar os líderes de mercado, criar parcerias para possibilitar a entrada dos nossos serviços, de forma rápida e eficiente, e continuar a construção da malha global, que é a nossa meta. O famoso one stop shop, oferecendo aos nossos clientes a mesma qualidade e eficiência, em todos os mercados em que operam.

Qual o seu papel no comando de toda a operação Latam do grupo?
O meu papel como líder do grupo, na América Latina, é estratégico, em primeiro lugar. Porém, tem uma ênfase comercial muito importante, uma vez que um dos grandes motivos da nossa existência é servir aos nossos clientes. Sem dúvida, a operação é crítica, talvez a parte mais importante do nosso dia a dia, para garantir, de forma eficiente, os níveis de serviço que nossos clientes esperam. Por fim, há o lado financeiro, na estrutura de capital e nas parcerias. Espero, em breve, poder anunciar os colaboradores que nos ajudarão a realizar tudo isso. Certamente, alguns já são conhecidos, que são os executivos das nossas empresas parceiras, como a Comfrio. Inclusive, talvez sejam os elos mais importantes do nosso modelo. Em quase 100% das aquisições do grupo, até hoje, os antigos donos continuam na liderança das suas empresas. Sei que não é típico de outras multinacionais, mas, no nosso caso, com rara exceção, os sócios são parte do nosso modelo de negócio, pois fizeram muito sozinhos e conseguiram se destacar no mercado, apesar dos grandes desafios. Agora, com o nosso capital e know-how, podem realizar os próprios sonhos, que sempre tiveram com o seu negócio. Valorizamos muito uma empresa de donos como esses. Na nossa visão, é um grande diferencial ter essa liderança nos mercados em que atuamos.

 

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