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Aquecimento global impacta portos brasileiros e pode prejudicar cadeias logísticas

 

Publicado em 11/01/2022

De acordo com especialista em comércio exterior, o aumento da da frequência de eventos climáticos extremos é um sinal para que os portos se adaptem para evitar crise mais grave


Foto: Pós Produção 

O aquecimento global é um dos maiores problemas já enfrentados pela humanidade. Entre as consequências da alta exacerbada das temperaturas no mundo estão a diminuição de geleiras, ondas de calor, elevação do nível dos oceanos e, principalmente, fenômenos meteorológicos extremos que impactam as cadeias logísticas.

Para Fábio Pizzamiglio, diretor da Efficienza, empresa especializada em assessoria para o comércio exterior, o aumento da temperatura no planeta causa eventos climáticos extremos.

“[Isso] afeta grande parte dos nossos processos logísticos, já que eles são realizados através do mar. Então, o setor marítimo é muito vulnerável a tempestades, ventanias, tufões e ciclones. Como a incidência desses eventos é maior com o aumento da temperatura, a situação se torna realmente preocupante.” – Fábio Pizzamiglio, diretor da Efficienza.

Isso também é o que mostra pesquisa realizada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários, em conjunto com a Cooperação alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ). Nos resultados obtidos pelo estudo, dos 21 portos brasileiros analisados, sete já possuem alto risco de serem afetados por tempestades, entre eles Rio Grande, Aratu-Candeias e Cabedelo. A pesquisa também aponta que a maior ameaça para esses setores portuários está no aumento e no agravamento da ocorrência de vendavais e tempestades, que devem aumentar até 2050.

IMPACTO GLOBAL

Não é só no Brasil que há impacto da ocorrência de eventos climáticos extremos. No ano de 2021, por exemplo, os tufões In-Fa e Chantu fizeram com que portos localizados em setores estratégicos fossem fechados, causando transtorno e atraso no transporte de mercadorias. Segundo Pizzamiglio, isso agrava uma crise já existente, caracterizada pela falta de contêineres e pelas restrições impostas pela Covid-19.

“Uma medida que poderia ser tomada, mas seria paliativa, é aumentar a estrutura dos portos e melhorar a capacidade de monitoramento meteorológico, dessa forma, o risco de dano estrutural é menor e há menos riscos de grandes prejuízos e, até mesmo, de acidentes graves que poderiam colocar em risco a integridade de vidas humanas. A solução real para o problema está em diminuir drasticamente as emissões de carbono, seguindo as recomendações do Acordo de Paris que foram propostas pela ONU. Devemos entender logo que esse é um problema urgente, que vai além das cadeias de exportação marítima, e representa, até mesmo, um risco para o futuro da vida humana no planeta.” – Fábio Pizzamiglio, diretor da Efficienza.

 

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