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Índice FreteBras: preço do frete aumenta em agosto e diesel registra alta de 37,25%

 

Publicado em 14/10/2021

Regiões Sul e Sudeste apresentaram os fretes mais baixos do país, R$ 0,97 por km rodado por eixo; fretes do agronegócio foram mais caros que em outros grandes setores, como indústria e construção


Foto: Divulgação

O valor do frete no Brasil continua não acompanhando os sucessivos aumentos no preço do óleo diesel S500, segundo o Índice FreteBras do Preço do Frete (IFPF). Entre agosto de 2020 e agosto de 2021, o custo do transporte por quilômetro rodado por eixo teve um aumento de apenas 1,58%, enquanto o preço do diesel, no mesmo período, subiu 37,25%.

Os dados do IFPF mostram que o valor médio do frete por quilômetro por eixo no Brasil é de R$ 0,98. A região Norte apresentou o quilômetro por eixo mais caro em agosto (R$ 1,04), seguida pelo Nordeste (R$ 0,99) e Centro-Oeste (R$ 0,98). Os fretes mais baratos foram registrados no Sul e Sudeste, ambos com R$ 0,97.

Na comparação entre julho e agosto de 2021, a maior alta do preço do frete foi registrada no Centro-Oeste, que alcançou 1,95%. “Isso aconteceu muito em função da crise hídrica que acarretou a paralisação da hidrovia Tietê-Paraná e também o declínio das estimativas da produção nos estados da região. Assim, para o transporte de grãos do percurso Centro-Oeste até Sudeste, os produtores tiveram que usar como alternativa o modal rodoviário, que é dois terços mais caro que o hidroviário”, analisa o Diretor de Operações da FreteBras, Bruno Hacad.

A região Nordeste registrou a maior queda no período, já que entre julho e agosto o valor do transporte rodoviário por quilômetro rodado ficou 3,27% mais barato. Houve um aumento de quase 6% de veículos registrados na plataforma na região, ajudando a puxar para baixo o valor do frete.

VARIAÇÕES ANUAIS SÃO INFLUENCIADAS PELA PANDEMIA

Entre agosto de 2020 e agosto de 2021, o maior aumento no preço do frete foi na região Sul do país (+2,07%). Neste período, a maior demanda por caminhoneiros para o escoamento da produção de grãos na região, que foi 6,5% maior segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), gerou um impacto ligeiramente positivo no preço do frete.

Já a maior queda foi registrada no Norte (-4,84%). “Em agosto, tivemos em nossa plataforma 43% mais caminhoneiros disponíveis do que fretes na região Norte e isso fez com que o mercado pagasse mais barato para realizar os transportes”, declara Hacad.

Neste período, as variações do preço do diesel nas bombas foram altas. A média nacional foi 37,25% maior do que em agosto do ano passado, sendo que a região Norte teve a menor variação com 35,39% e a Nordeste obteve a maior, com 38,22%.

O IFPF, que foi lançado em fevereiro, permite uma visão além da regional, com um olhar localizado para os Estados brasileiros. O Alagoas registrou a maior alta no preço do frete (+13,02%), de agosto de 2020 para agosto de 2021, impactado por uma alta de 87% no volume de fretes cadastrados na FreteBras. O Piauí também teve um aumento considerável de 11,53% no preço do frete, puxado pelo aumento de área plantada em 8%, o que gerou uma maior produção de grãos (milho e soja) em cerca de 10%.

Apesar do aumento no preço do frete, ambos os Estados tiveram uma variação de mais de 40% do preço do diesel no período comparado, sendo que Alagoas chegou a quase 43% de aumento.

Sobre os estados com maiores quedas no preço do frete, o Rio Grande do Norte e Ceará, em comparação com agosto de 2020, fecharam com -16,88% e -7,95%, respectivamente, enquanto o preço do diesel nestes Estados aumentou em cerca de 39,38% no mesmo período.

MARANHÃO E DF: VARIAÇÃO MENSAL POSITIVA NO PREÇO DO FRETE

O estudo da FreteBras demonstrou que os maiores aumentos no valor do frete, entre julho e agosto de 2021, foram constatados no Maranhão (+6,92%) e Distrito Federal (+6,34%). A maior demanda pelo transporte de cargas nessas localidades, aliada com um número menor de caminhoneiros disponíveis, puxou o preço do frete para cima. Já a maior queda ocorreu no Rio Grande do Norte, onde o frete ficou 15,20% mais barato no período. O Ceará também teve destaque entre as quedas nos valores (-6,63%).

Em agosto, o frete mais caro foi registrado no Estado do Amapá, com R$ 1,19 por quilômetro rodado por eixo, seguido por Tocantins (R$ 1,04) e Espírito Santo (R$ 1,02). Já os mais baixos foram observados no Ceará (R$ 0,92) e Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, todos com R$ 0,93 por km rodado por eixo.

“Depois de lançar o índice FreteBras do Preço do Frete, confirmamos que o preço médio do frete não acompanha a alta dos custos do diesel, mas também entendemos que o poder de negociar está nas mãos dos caminhoneiros. Por isso, lançamos o programa CalculaFrete, que tem como carro chefe a Calculadora de Custos. O objetivo é apoiar esses profissionais na gestão dos custos do transporte. É uma forma de empoderar ainda mais os motoristas e ajudá-los a organizar melhor seus gastos para conseguir manter o lucro das viagens.” – Bruno Hacad, Diretor de Operações da FreteBras.

FRETES DO AGRONEGÓCIO SÃO OS MAIS CAROS

O índice da FreteBras constatou que os fretes do setor do agronegócio foram os mais altos registrados em agosto de 2021, sendo fixados em R$ 1,02 por km rodado por eixo. Em segundo lugar, os fretes de produtos industrializados chegaram ao valor médio de R$ 0,97. A terceira posição é ocupada pelos fretes de insumos para construção, que ficaram em R$ 0,96 por km rodado por eixo.

Na variação anual, os fretes para insumos da construção ficaram 1,97% mais caros, um reflexo do aumento da confiança e do crescimento do setor no país (alta de 4,8% no faturamento deflacionado, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção - Abramat).

Já os fretes de produtos industrializados aumentaram apenas 1% em comparação com agosto de 2020. No caso do agro, apesar de serem os mais caros registrados no período, os fretes do setor ficaram 0,27% mais baratos.

Quando comparados os dados de julho a agosto de 2021, novamente o agronegócio ficou em destaque, com aumento de 3,26%. Os valores dos fretes de insumos para a construção caíram 0,36% no período e de produtos industrializados, 1,89%, impulsionados por uma queda na produção industrial brasileira de 0,7% no mês de agosto, segundo o IBGE.

METODOLOGIA DA PESQUISA

Os dados que compõem o Índice FreteBras de Preço do Frete (IFPF) têm base na análise de mais de 5 milhões de fretes cadastrados até agosto de 2021. Com mais de 580 mil caminhoneiros cadastrados e 14 mil empresas assinantes, a FreteBras cobre 95% do território nacional. Foram analisados também os preços de combustíveis publicados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), principal índice de preço de combustíveis no Brasil.

 

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