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Levantamento da FGV Transportes indica queda dos investimento em infraestrutura em 2019

Publicado em 22/05/2019

Aportes serão insuficientes para fazer sequer a manutenção do sistema

 

O investimento em infraestrutura em 2019 deverá somar 0,32% do PIB, o pior resultado do período entre 2008 e 2018, que foi de 0,85% do PIB (número de 2010) isto se todo o investimento previsto para este ano for feito, segundo levantamento feito pelo FGV Transportes, o mais novo centro de estudos da Fundação Getulio Vargas.

De acordo com o estudo, que abrange dados de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias, são necessários aportes anuais de 2,5% do PIB. Entretanto, ao longo dos últimos 10 anos, o Brasil está fazendo desinvestimento, ou seja, tornando pior a infraestrutura já existente. Ainda segundo o levantamento, para fazer a recuperação e a manutenção, são necessários 3% do PIB. Apenas com a aplicação de recursos acima desse patamar, o Brasil conseguiria expandir a sua rede de infraestrutura.

Marcus Quintella, um dos coordenadores do FGV Transportes, observa que, embora o Brasil tenha uma base grande de infraestrutura, as condições do sistema são ruins e estão se deteriorando. “O país tem a quarta maior malha rodoviária do mundo, com 1,6 milhão de quilômetros, porém apenas 13,7% são pavimentados – 57% das estradas estão em condições ruins ou péssimas. Já a malha ferroviária é a décima maior do mundo, com 30 mil quilômetros, mas apenas 10 mil quilômetros são explorados, com concentração no escoamento de minérios e derivados. Há 137 portos e terminais, dos quais apenas 45 têm conexão internacional, mas com graves deficiências”, esclarece Quintella.

O levantamento também assinalou que desde 2014, o investimento público no sistema de infraestrutura desabou e a iniciativa privada passou a ser o principal investidor. Entretanto, o aporte privado também vem caindo, em função do forte sistema de regulação que desestimula o capital privado em tempos de crise fiscal e econômica. Dos 0,32% do PIB previstos para 2018 em investimento na área de infraestrutura, 0,15% deverão ser recursos públicos, enquanto 0,17%, capital privado.

O estudo mostra o perfil “rodoviarista” do Brasil, que tem 63% da carga movimentada por rodovias. O sistema rodoviário é o que mais recebe recursos, mesmo assim muito abaixo do necessário. Com isso, já se observa a diminuição do quilômetro pavimentado no país. Desta conjuntura, aponta o levantamento, resultam aumentos de custo logístico, danos aos veículos, perdas de carga e gastos na saúde em função de acidentes. Torna-se mais caro exportar, há perda de competitividade interna e externa e os produtos ficam mais caros no ponto de venda ao consumidor.

Mesmo com pouco dinheiro disponível, o levantamento aponta que é preciso planejar as grandes obras e deixar pronto um projeto executivo para quando houver verba, uma vez que as crises são cíclicas e, portanto, seguidas de períodos de bonança. Recomenda-se ainda que, até que os grandes projetos saiam do papel, sejam feitas pequenas intervenções e correções que não demandam alto investimento, mas podem gerar melhorias que se revertam em receitas e aumento da produtividade.

 

 

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