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Nova logística da Fiat prevê fim da terceirização

 

Publicado em 12/03/2012

A Fiat firmou um contrato que sacramentou a inédita “desterceirização” de 2,6 mil trabalhadores da área de logística. O movimento tem o mesmo sentido da nova estratégia da empresa, de trazer para os domínios da gestão interna áreas estratégicas, com vistas à ampliação da produção.

Dos atuais 750 mil veículos fabricados por ano na planta industrial de Betim, a empresa deve saltar para 900 mil em 2014. “É um passo importante redimensionar o arranjo da produção, para afinar a eficiência dos processos e conseguir efetivar esse objetivo. É um passo fundamental”, diz Adauto Duarte.

E a mudança vai ao encontro da luta histórica dos trabalhadores de duas empresas especializadas – a Ceva Logistics e a Syncreon – que agora serão considerados novamente metalúrgicos e terão os mesmos direitos dos trabalhadores da empresa. Isso representará ganho salarial e participação nos lucros e resultados da companhia, entre outros benefícios. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Betim e Região, o piso da hora de trabalho dos colaboradores que aceitarem a admissão na Fiat vai pular de R$ 4,48 para R$ 5,33.

“A terceirização desses trabalhadores fez parte daquele momento em que todos diziam que esse era o único caminho para a lucratividade das empresas. Mas a gente bem sabe que terceirização significa precarização do trabalho”, defende João Alves de Almeida, presidente do sindicato. “É um ganho importante, não só para estes trabalhadores e suas famílias como também para a própria economia local”, acrescenta. As atividades de logística haviam sido terceirizadas em 1997. Na época, 370 trabalhadores foram absorvidos pela empresa holandesa TNT Logistics, que assumiu o serviço.

A redefinição, segundo Duarte, tem a ver com nova metodologia de arranjo do processo produtivo, que o Grupo Fiat tem adotado globalmente, chamada de Produção de Classe Mundial (WCM, na sigla em inglês). A transferência dos trabalhadores até então terceirizados, na área de logística, será completada em 1º de junho, quando a Fiat passará a contar com 18,4 mil trabalhadores – 27% a mais em relação ao quadro funcional registrado há seis meses. “Vamos redesenhar a forma de organização das atividades para atender as expectativas de demanda futura.” O manuseio de peças em geral, transporte e armazenamento dentro da montadora são responsabilidades dos trabalhadores.

Episódio isolado

Não se pode falar exatamente em “movimento de desterceirizações”. O episódio envolvendo Fiat e funcionários da logística não vai se estender para outros setores da empresa que são terceirizados. “É uma questão de observar que para os principais concorrentes da Fiat, como Wolkswagen, Ford ou as asiáticas como JAC e Hyundai, logística já deixou de ser uma questão de transporte e suprimentos para tornar-se, de fato, uma área estratégica para a gestão”, opina Hugo Ferreira Braga Tadeu, professor de logística da Faculdade IBS/ FGV.

Na percepção de Braga, a tendência de olhar para a logística com mais atenção é impulsionada, nessas grandes fábricas, pela crise econômica, que já retrai os indicadores da produção industrial no Brasil e no resto do mundo. “Com a redução do faturamento, as empresas percebem que precisam cortar onde podem. A otimização dos gastos com a logística, passando de dimensão operacional para estratégica, é o ganho.” O especialista alerta para o risco potencial da prática: “Uma mesma logística global pode produzir na Itália os mesmos carros que são fabricados no resto do mundo. O problema ocorre se o mercado local não se adaptar a produtos fabricados assim e houver rejeição de vendas.”


Fonte: Estado de Minas

 

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