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Participação da mulher na Supply Chain cresceu, mas ainda é um projeto em desenvolvimento

 

Publicado em 08/03/2022

De acordo com especialistas, desafio para aumentar a participação das mulheres começa na fase de recrutamento. Porém, tê-las em cargos de gestão pode trazer benefícios para as empresas – inclusive financeiros

Por Christian Presa


Foto: Shutterstock

A presença da mulher no mercado de trabalho é um tema que já vem sido abordado há alguns anos e, apesar de avanços notáveis terem ocorrido, ainda se nota a necessidade de manter o tópico em evidência. Um exemplo disso é a pesquisa realizada pela Gartner e Awesome (2021), que demonstrou a baixa presença de mulheres em cargos de liderança nas empresas de diferentes setores – mesmo diante do fato de elas ocuparem 41% das posições na área. Quando se analisa a situação das mulheres negras, apenas 5% delas estão em posições de alta administração.

Na Logística, esse status de “em desenvolvimento” também é uma realidade. Durante o auge da pandemia de Covid-19 – período no qual houve baixas em todos os setores –, a redução da presença feminina foi de apenas 2%, de 17% para 15%, nos cargos de C-Level. No entanto, ainda de acordo com a pesquisa da Gartner e Awesome, a participação de mulheres cai no decorrer do desenvolvimento da carreira: elas representam 41% da força de trabalho, mas apenas 23% em cargos de diretoria ou vice-presidência.

A Coluna FGVCelog, publicada na edição 85 da MundoLogística, foi destinada a esse tema, com um artigo assinado por Ana Paula Blanco (vice-presidente de Operações de DHL), Andrea Lago Silva (professora titular da Universidade Federal de São Carlos) e Priscila L. S. Miguel (coordenadora do Centro de Excelência em Logística e Supply Chain – FGV-CELog. No texto exclusivo, elas relacionam a inclusão de mulheres na Supply Chain Management ao aumento do interesse das empresas pelas práticas de ESG.

“A gestão da diversidade é essencial para promover mais inclusão e equidade dentro das empresas, bem como nas cadeias de fornecedores. Nesse sentido, a área de SCM pode assumir o protagonismo em igualdade de gênero caso opte por uma postura mais proativa do que reativa. Para isso, é essencial que seja desenhado um projeto com o objetivo de aumentar a participação de mulheres em SCM.” – trecho do artigo “Mulheres em Supply Chain Management: Por que precisamos falar sobre isso?”

De acordo com as especialistas, a diversidade está, inclusive, associada a objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) da ONU: igualdade de gênero (ODS-5), redução de desigualdades (ODS-10) e paz, justiça e instituições eficazes (ODS-16). “Uma gestão de diversidade eficaz e igualitária considera as diferenças entre pessoas e inclui processos para não apenas selecionar talentos, mas tornar o ambiente mais inclusivo para pessoas diferentes.”

PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES É UM DESAFIO

Blanco, Silva e Miguel destacam que, quando se trata da carreira em Supply Chain, aumentar a presença feminina é um desafio iniciado já na fase de recrutamento, uma vez que muitas das posições nas empresas exigem formação em cursos de Engenharia – que, segundo pesquisa da Universidade de São Paulo, apenas 19% do corpo discente é composto por mulheres. A mesma pesquisa mostra, no entanto, que 52% dos alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH – USP) eram mulheres. “Isso indica que uma clara preferência feminina por cursos na área de humanas, o que, muitas vezes, as tornam inelegíveis às posições de Supply Chain”, ressaltam.

“Uma outra maneira de se aumentar a equidade de gênero é por meio da contratação de fornecedores cujas proprietárias são mulheres, incentivando, dessa forma, o desenvolvimento desses negócios e, consequentemente, de suas líderes. No entanto, existem poucos estudos que endereçam esse assunto. Segundo a WE Connect Internacional, companhias de propriedade de mulheres representam menos de 1% dos gastos com fornecedores de grandes empresas compradoras.” trecho do artigo “Mulheres em Supply Chain Management: Por que precisamos falar sobre isso?”

Além de ser uma demanda de igualdade de gênero, o crescimento da presença feminina na Logística e na Supply Chain é algo que pode trazer benefícios para as empresas – inclusive financeiros. “Segundo um estudo da consultoria McKinsey realizado com mais de 1 mil empresas em 15 países – incluindo o Brasil –, as companhias que possuem mais equidade de gênero têm 25% mais chances de obter um resultado financeiro acima da média do que aquelas que possuem menor participação feminina.”

Para conferir o artigo na íntegra, basta se tornar um assinante da MundoLogística.

 

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