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Pesquisa CNT: Custo operacional do transporte teve alta média de 30,9% em 2021

 

Publicado em 03/12/2021

De acordo com dados levantados pela pesquisa, esse crescimento tem relação com a queda de qualidade das rodovias brasileiras; investimento em infraestrutura caiu em 2021


Foto: Divulgação

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou nesta quinta-feira (2) a 24ª edição da Pesquisa CNT de Rodovias, que neste ano teve a avaliação de foram avaliados 109.103 mil quilômetros de rodovias federais e estaduais pavimentadas. De acordo com os dados apresentados, o custo operacional do transporte teve um aumento médio de 30,9%, causado pelas rodovias consideradas em regular, ruim e péssimo estado.

Dos 109.103 mil quilômetros avaliados, 92.711 mil apresentaram problemas – um percentual de 84,9%.

Atualmente, 44,3% das rodovias que estão sob gestão privada apresentaram algum tipo de irregularidade, o que ocasiona um aumento de 16% nos custos operacionais do transporte rodoviário de cargas para os usuários. No caso das rodovias sob administração pública, 73% mostraram irregularidades, acarretando um acréscimo estimado de 35,2% nos custos operacionais.

Para o presidente da CNT, Vander Costa, os resultados da Pesquisa CNT de Rodovias 2021 deflagram um cenário de queda da qualidade das rodovias brasileiras, questão que precisa ser enfrentada com rapidez e assertividade.

“A forte retomada de investimentos é urgente e necessária para prover ao país uma malha rodoviária mais moderna e eficiente, condição indispensável para a promoção do desenvolvimento. E, nesse sentido, a análise técnica da CNT nesta Pesquisa é um importante instrumento para fomentar as melhores soluções.” – Vander Costa, presidente da CNT.

Durante 30 dias, 21 equipes avaliaram a malha rodoviária, abrangendo 100% das rodovias federais e os principais trechos estaduais. Neste ano, a Pesquisa CNT também inovou com a coleta digital, reconhecimento automático de placas e uso de geoprocessamento na validação e consolidação dos dados, além de mapeamento por imagens de satélite. Tais técnicas são utilizadas por países mais avançados em coleta de dados e acompanhamento de rodovias.

INVESTIMENTO REDUZIDO EM 2021

Segundo relatório divulgado pela Pesquisa CNT de Rodovias, foi identificada uma tendência de redução nos investimentos realizados pelo Governo Federal e concessionárias, tanto nos valores totais quanto no montante investido por quilômetro.

Entre 2016 e 2020, o investimento médio foi de R$ 7,16 bilhões por parte das concessionárias e de R$ 8,90 bilhões pelo Governo Federal. Em relação à extensão da malha pavimentada gerida, o investimento por quilômetro da iniciativa privada foi de R$ 381,04 mil, contra aproximadamente R$ 162,92 mil nas rodovias federais sob gestão pública.

Para 2021, considerando que todo o investimento autorizado no orçamento federal seja executado, o montante de recursos para obras em rodovias será de R$ 5,80 bilhões, o que implica um gasto médio de apenas R$ 108,97 mil por quilômetro. Em ambos os casos, os valores para rodovias públicas federais estão abaixo das respectivas médias nesse período.

RODOVIAS COM PROBLEMAS DEMANDAM INVESTIMENTO DE R$ 82,5 BILHÕES

De toda a extensão pesquisada pela CNT, seriam necessários R$ 62,9 bilhões para a reconstrução de 554 quilômetros que estão com a superfície destruída e para a restauração de 41.039 quilômetros nos quais se identificam trincas, buracos, ondulações, remendos e afundamentos. Para os trechos desgastados (51.118 quilômetros), o custo estimado para manutenção é de R$ 19,6 bilhões.

 

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