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PIB do transporte tem a pior queda da história

 

Publicado em 04/09/2020


Em comparação com 2019, o PIB do transporte caiu, neste primeiro semestre, quase o dobro


Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil teve uma queda de 5,9% nos seis primeiros meses de 2020, na comparação com o mesmo período do ano passado, o do transporte registrou quase o dobro de retração, com -11,3%. Em um semestre marcado pela pandemia da Covid-19, esse foi o pior resultado para o setor desde o início da série histórica das Contas Nacionais Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1996. Além disso, o desempenho do transporte foi duas vezes pior do que o registrado no auge recessão de 2014-2016.
É o que revela a nova edição do Transportes em Números, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e que detalha os resultados da atividade econômica no primeiro semestre de 2020, apresentando a dimensão dos impactos da crise mundial provocada pela novo coronavírus no acumulado do período.
Segundo a publicação, entre todas as atividades, os serviços de transporte de cargas e passageiros apresentaram a segunda maior queda do valor adicionado no semestre, atrás apenas de "outras atividades de serviços" (serviços de alojamento, alimentação, saúde e educação consumidos pelas famílias, serviços domésticos remunerados e serviços culturais, desportivos e recreativos), que caiu 13,6%.
O presidente da CNT, Vander Costa, chama atenção para o fato de o transporte ter registrado, dentre todas as atividades, a segunda maior retração no segundo trimestre de 2020, caindo quase o dobro do PIB nacional no período.

 

"Essa contração histórica aconteceu em um momento em que ainda buscávamos recuperar os prejuízos de outra recessão, a de 2014-2016. Por isso, consideramos que levará um tempo significativo para que todos os segmentos de transporte, em especial os de passageiros, recuperem os patamares pré-crise Covid-19. Apesar de o momento ser de cautela, esperamos que a economia intensifique a sua reação já nos próximos meses de modo a recompor financeiramente as empresas, bem com propiciar o ambiente necessário para a retomada dos investimentos em infraestrutura."

 

Desempenho semestral dos segmentos de transporte

Rodoviário - A publicação da CNT mostra que, impactado pela crise da Covid-19, o desempenho do fluxo de veículos nas rodovias pedagiadas do Brasil foi negativo no primeiro semestre de 2020. Em termos de veículos leves houve retração de 23,1% no período, na comparação com os seis primeiros meses do ano passado. Já o de veículos pesados teve queda de 5,5%, na mesma base de comparação, o que representou uma diminuição de 18,8% no fluxo total.

Ferroviário - A movimentação ferroviária brasileira, no primeiro semestre de 2020, caiu 7,6% em toneladas úteis transportadas (TU), na comparação com igual período de 2019. De acordo com a análise da CNT, a queda se deu sobre uma base de comparação bastante fraca, pois, no primeiro semestre de 2019, o segmento já havia sido afetado pelo rompimento da barragem de Brumadinho (MG), o que comprometeu a produção e o transporte de minério de ferro - que representa mais de 70,0% do volume transportado por ferrovias brasileiras.

Aquaviário - A navegação por cabotagem teve o melhor desempenho no segmento. No primeiro semestre de 2020, transportou 69,20 milhões de toneladas, crescendo 1,5% em relação aos seis primeiros meses de 2019. Já a navegação de longo curso, com 322,33 milhões de toneladas, de janeiro a junho de 2020, teve uma queda de 7,7% no volume transportado em relação ao mesmo período do ano passado. A navegação por vias interiores, por sua vez, teve uma queda de 15,2% quando comparada com o mesmo período em 2019, transportando 10,09 milhões de toneladas.

Aéreo - No primeiro semestre de 2020, a procura por transporte aéreo das empresas brasileiras caiu drasticamente. No período, a demanda do setor teve queda de 48,8% em relação ao mesmo período de 2019. Segundo a CNT, houve forte retração tanto no mercado de voos internacionais (-55,4%) quanto na procura por voos domésticos (-45,7%).

 

 

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